Nove dos onze representantes da Produção no Conselho Interprofissional do IVDP,IP, incluindo o Presidente da Casa do Douro, bateram com a porta, renunciando ao mandato. Fizeram-no através de cartas de demissão que remeteram ao Presidente do Organismo, Jorge Monteiro.
António Sousa Pinto e Paulo Dolores, dirigentes das Caves Santa Marta, por exemplo, alegam “não existirem condições pessoais e institucionais, para exercer o cargo”. Já José Ribeiro, Presidente da Adega Cooperativa de Alijó, para além das mesmas razões, acrescenta: “os problemas institucionais que dificultam a nossa missão”. O conselheiro Monteiro Maria, Vice-Presidente da Unidouro, diz “discordar da forma como foi criada a reforma institucional, para a região do Douro” e, considera não ter havido, desde então, “condições para que a mesma fosse alterada e afigura-se cada vez mais impossível essa alteração”. António Januário, Vice-Presidente do CI, no mandato anterior, depois de acusar Jorge Monteiro de não ser, “um Presidente equidistante das profissões” e de “permitir que a censura impere no IVDP”, é mais veemente e afirma: “não me revejo num IVDP dirigido de forma prepotente por V. Exa. e, não aceito ser cúmplice da sua estratégia de destruição de milhares de viticultores durienses”. António Breia, o mais antigo representante da Produção, afirma, na carta de demissão, que “denota-se neste interprofissional que quem comanda é o Comércio, tudo bem sincronizado com o IVDP”. João Leonardo, dirigente da Adega Cooperativa de Moncorvo e Presidente da Mesa da ATM, que foi eleito conselheiro há, apenas, um ano, cedo percebeu que “o caminho que o IVDP pretende impor não é aquele que os durienses pretendem trilhar”. Joaquim Monteiro, conselheiro oriundo de S. João da Pesqueira, é dos mais contundentes, na apreciação do funcionamento do Interprofissional. E diz, com toda a clareza: “no Douro não existe interprofissionalismo, existe sim o querer subjugar a parte considerada mais fraca – a Produção – com a conivência do representante do Estado, na região”. E acrescenta que “o Instituto é dirigido, de forma autoritária, prepotente e autista” e que não será “cúmplice nem coveiro da destruição de tantos milhares de viticultores durienses e do abandono da terra em que nasceram”.
Manuel António Santos, por seu lado, refere que “não existem, naquele conselho, dito interprofissional, as mínimas condições para a produção levar a cabo, em pé de igualdade com os demais membros, a defesa do sector vitivinícola duriense”.
Restam, agora, apenas dois elementos da Produção, em representação da Associação de Produtores e Engarrafadores (AVEPOD), Maria Serpa Pimentel e Morais Vaz. No entanto, estes deverão ser destituídos, em breve, já que compete à Comissão Permanente do Conselho Regional da Casa do Douro (constituído por 31 elementos) a sua indicação.
Entretanto, em declarações à Agência Lusa, o Presidente do IVDP, Jorge Monteiro, disse que os nove representantes da Produção que se demitiram do Conselho Interprofissional “só o fizeram porque já tinham chumbado por faltas”.
Mas Manuel António Santos já respondeu por si e, seguramente, pelos demais, lembrando que “o Vice-Presidente do Conselho do Interprofissional do IVDP,I.P. em representação da Produção, que é no actual mandato, o Presidente da Direcção da Casa do Douro, deixou de participar nas reuniões do Conselho Interprofissional do IVDP,I.P. a partir do dia em que V. Exª afirmou em plena reunião Plenária que à Casa do Douro nenhum papel competiria na preparação da vindima de 2008”. O Presidente da Casa do Douro explica que “naturalmente que a afirmação pelas graves e profundas consequências que provocaria na Casa do Douro, nos seus Trabalhadores e em milhares de viticultores com alterações nas suas parcelas desde a última vindima, não poderia deixar de originar em mim, uma pronta reacção, que me tenho por não preguiçoso (trabalho desde há dezenas de anos muitas horas ao dia), que não pratico nem a covardia nem a hipocrisia nem tão pouco a “caça à espera” que me tenho como não sou vingativo, que nunca exerci cargos remunerados por nomeação nem exerceria o poder, mesmo que o tivesse ou me fosse entregue, de forma arbitraria e autocrática”, acrescentando “a minha atitude de protesto (não participação nas reuniões) alicerçou-se ainda na verificação de que por mais argumentações que apresentasse, tal como sucedia aos meus pares da Produção, nada valiam para alterar caminhos que tenho como previamente concebidos”. Manuel António Santos considera, ainda que se “porventura o presidente do IVDP, considera que eu já havia perdido o mandato por faltas antes de lhe ter apresentado a demissão, situação que não me foi comunicada, então deve assumir a atitude que está de acordo com as afirmações publicas que lhe são imputadas! De resto, não compreendo que tal pudesse estar na sua mente, face à convocatória que recebi e à documentação que, a meu pedido, me enviou, na véspera da reunião plenária”. O Presidente da Casa do Douro refere, a rematar, que “seria, para mim, um facto honroso do meu percurso de vida poder afirmar, amanhã, ter sido destituído do actual Conselho Interprofissional do IVDP, I.P. (que, para mim, há muito deixou de o ser) presidido e gerido por V.Ex.ª, de forma tão própria, tão própria, tão própria…”.
O Conselho Interprofissional, órgão de gestão das denominações de origem e indicação geográfica da Região Demarcada do Douro, é constituído por 23 elementos, designadamente o Pesidente do IVDP, Jorge Monteiro, que preside também ao órgão, e mais dois vice-presidentes, um representante da Produção, Manuel António Santos até agora, e outro do Comércio, Jorge Sandeman.





