Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
Alto TâmegaProjeto-piloto promoveu restauro ecológico de 60 hectares afetados por incêndios

Projeto-piloto promoveu restauro ecológico de 60 hectares afetados por incêndios

A iniciativa desenvolveu-se nos últimos três anos no concelho de Boticas, em parceria com a Cooperativa Agro Rural de Boticas (CAPOLIB)

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O Projeto de Restauro Ecológico da Paisagem Florestal de Boticas, promovido pela Bel Portugal, em parceria com WWF Portugal e a CAPOLIB, acaba de se concluído. O propósito da intervenção de três anos foi transformar 60 hectares de uma região fortemente marcada pelos incêndios florestais, promovendo biodiversidade, agricultura regenerativa e desenvolvimento local.

Este foi um projeto-piloto de responsabilidade social da empresa, com um investimento total de 360 mil euros.

A Bel Portugal, produtora de queijo no continente (Vale de Cambra) e Açores, diz que este é “um exemplo do compromisso que tem com a agricultura sustentável e a criação de valor ambiental, económico e social para os territórios”.

Esta área do Barroso, reconhecido pela FAO como património agrícola mundial, foi escolhida para o projeto por ter sido fortemente afetada pelos incêndios de 2016, que destruíram mais de 1.700 hectares, sendo uma resposta a essa destruição, com o objetivo de recuperar ecossistemas florestais degradados, valorizar o sistema agro-silvo-pastoril tradicional, promover a biodiversidade e aumentar a resiliência da paisagem aos incêndios.

“Na Bel acreditamos que o futuro da alimentação depende da capacidade de implementarmos uma agricultura inovadora, sustentável e regenerativa, em parceria com agricultores. Este projeto mostra como é possível recuperar paisagens, promover práticas ancestrais e apoiar comunidades locais com soluções duradouras e multifuncionais”, afirma Paula Amaral, responsável de Sustentabilidade da Bel Portugal.

A intervenção envolveu 40 hectares de floresta, onde foi promovida a regeneração natural do pinheiro e a gestão ativa do ecossistema para permitir o regresso de espécies nativas como o carvalho, e 19 hectares de pastagens biodiversas, destinadas ao uso comunitário, com o objetivo de apoiar atividades como a pastorícia e a apicultura, essenciais para o território.

Para além da recuperação ecológica, o projeto contribuiu para a redução do perigo de incêndio e para a melhoria da gestão do solo, para a preservação dos polinizadores, incluindo as abelhas responsáveis pela produção do emblemático mel de urze do Barroso, para a valorização da paisagem multifuncional, com benefícios económicos diretos para agricultores, produtores de gado, apicultores e proprietários de terras; e para o combate ao despovoamento rural, promovendo melhores condições de vida e rendimento sustentável para quem vive da terra.

“Com este projeto conseguimos recuperar práticas de agricultura tradicionais e criar uma paisagem mais resiliente e rica em biodiversidade. A multifuncionalidade da paisagem é uma das melhores soluções para aumentar a resiliência das comunidades locais e dos territórios aos incêndios florestais, enquanto valorizamos os recursos naturais desta região”, acrescenta Vasco Silva, Coordenador de Florestas da WWF Portugal.

“Conseguimos transformar uma área de incultos e floresta degradada num espaço útil para a comunidade, criando valor para os agricultores e contribuindo para a fixação da população”, sublinha Ângelo Teixeira da CAPOLIB.

Ao concluir este projeto, a Bel Portugal reforça a ambição de” ser uma referência na transição para sistemas alimentares sustentáveis e regenerativos, apostando na recuperação de paisagens e na proteção da biodiversidade”, propondo-se mesmo ser a empresa “mais sustentável em Portugal”, apostando na política do prado ao prato, e em agricultura regenerativa.


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