Os proprietários agrícolas da bio-região do Baixo Sabor manifestaram hoje a sua preocupação em relação à possível instalação de uma central fotovoltaica pela elétrica francesa Engie. Este projeto pode ter repercussões significativas nos setores da agricultura, turismo e biodiversidade na área.
Luís Guimarães, presidente da Associação Proprietários do Baixo e Lagos do Sabor, afirmou à agência Lusa que a criação de projetos para parques fotovoltaicos deveria envolver todos os interessados. “Este é um projeto que pode coexistir com a bio-região, mas a bio-região [do Baixo Sabor] deveria ser chamada ao projeto”, sublinhou o dirigente associativo.
O presidente da associação expressou ainda que muitos aguardam “os grandes negócios resultantes da venda dos terrenos” para a instalação dos painéis solares. Ele alertou que “estes negócios são casuais e o futuro da região é muito mais importante do que qualquer proveito com a venda destes terrenos”.
Luís Guimarães destacou que este tipo de solução não resolve os problemas agrícolas do Baixo Sabor. Para os proprietários agrícolas, o projeto deve ser reavaliado para evitar comprometer o potencial turístico e agrícola da região. “Tudo isto foi criado pela calada da noite e sem ninguém saber e as pessoas desconhecem o que se está a passar”, alertou.
As bio-regiões são áreas onde agricultores, cidadãos, operadores turísticos, associações e o poder local colaboram na gestão sustentável dos recursos locais. A bio-região dos Lagos do Sabor abrange os concelhos de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros, numa área total de 2.300 quilómetros quadrados, resultantes da albufeira da barragem do Baixo Sabor.
A reação dos proprietários surge após o anúncio da Engie sobre a hibridização em três centrais elétricas transmontanas, através de projetos fotovoltaicos com capacidade total de cerca de 354 Megawatts-pico (MWp). As centrais afetadas incluem Bemposta (Mogadouro), Baixo Sabor (Torre de Moncorvo) e Foz Tua (Carrazeda de Ansiães e Alijó).




