Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022

Provas de aferição com resultados piores que antes da pandemia

Devido à pandemia de Covid-19, o governo suspendeu, de forma prolongada, todas as atividades letivas presenciais, e os estabelecimentos de ensino por duas vezes, desde creches a universidades.

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De 16 de março de 2020 até ao final do ano letivo 2019/20 e de 21 de janeiro a 15 de março (Educação Pré-escolar e 1.º ciclo), 5 de abril (2.º e 3.º ciclos) ou 19 de abril (Ensino Secundário e Superior), no ano letivo 2020/21. As aulas passaram a regime exclusivamente online, com apoio do programa “Estudo em Casa”, cujos conteúdos foram disponibilizados diariamente na televisão pública, de forma a tentar mitigar os efeitos da interrupção.

Estas restrições deixaram com acesso reduzido a recursos educativos todos os alunos, embora os alunos das famílias de menores rendimentos tenham sido mais afetados (são mais vulneráveis, uma vez que as suas famílias têm menos capacidade para fornecer recursos educativos substitutos), acentuando as desigualdades existentes.

A nível geral, o impacto desta suspensão das atividades letivas nas capacidades dos alunos é impressionante. Em 2021, os resultados dos alunos do Ensino Básico nas provas de aferição pioraram em quase todas as competências, face ao último ano antes da pandemia. Das 15 competências analisadas, referentes a três níveis de escolaridade e às disciplinas português e matemática, em 12 delas o resultado “não conseguiu” ou “não respondeu” aumentou (grande parte de forma significativa). Em quatro delas, o resultado “não conseguiu” ou “não respondeu” aumentou mais de 25 pontos percentuais.

De acordo com cálculos apresentados na “Iniciativa Educação”, por Eric A. Hanushek e Ludger Woessmann, o encerramento das escolas (apenas em 2020) terá um impacto negativo de 212 mil milhões de euros em rendimentos futuros em Portugal (equivalente ao PIB anual português). Relativamente ao atraso temporal na aprendizagem que a suspensão das aulas presenciais teve, “em Portugal ainda não temos dados, mas de outros países chegam-nos atrasos médios de dois meses para todos os alunos, e de sete meses para os mais desfavorecidos e não temos razões para acreditar que por cá a situação seja melhor”, refere Miguel Herdade, especialista em educação que trabalha numa ONG para a educação no Reino Unido.

O cenário é preocupante. A pandemia deixou um lastro de atraso educacional nas nossas crianças, que temos agora a responsabilidade de tentar recuperar em prol do seu/nosso futuro.

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