Em comunicado, a associação ambientalista defende medidas urgentes para aumentar a resiliência do território e reduzir a vulnerabilidade aos grandes incêndios.
A Quercus relaciona o agravamento das condições climáticas com a ocorrência de fenómenos extremos e aponta 2026 como um ano particularmente exigente, referindo os alertas da Organização Meteorológica Mundial para situações de seca severa, precipitação extrema e vagas de calor.
A associação aponta, contudo, responsabilidades para além das condições meteorológicas, como a monocultura do eucalipto, apresentada como “um autêntico pavio”, devido à elevada combustibilidade destas áreas, mas também pelo impacto que, segundo a Quercus, têm sobre os recursos hídricos e a capacidade dos solos para enfrentar períodos de seca.
A organização defende a diversificação da paisagem através da substituição progressiva de eucaliptais por espécies autóctones, como carvalhos, sobreiros, castanheiros e azinheiras, e recorda uma recomendação de 2022 da Relatora Especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Ambiente nesse sentido.
Entre as medidas propostas, a Quercus e a Environmental Paper Network defendem uma moratória imediata à instalação de novas arborizações e rearborizações com eucalipto em Portugal. Propõem ainda uma redução progressiva da área de eucaliptal até 2030, acompanhada pela sua substituição por espécies autóctones.
No plano financeiro, a Quercus defende a aplicação do princípio do “poluidor-pagador”, através da criação de uma taxa sobre o impacto ambiental da indústria da pasta de papel e da biomassa, destinando essas receitas à prevenção e combate aos incêndios e ao restauro ecológico.
Além destes, propõe pagamentos por serviços ambientais aos pequenos proprietários que mantenham floresta autóctone, a criação de mosaicos paisagísticos e faixas de proteção com espécies folhosas e galerias ripícolas, bem como o incentivo à pastorícia e à agricultura de montanha.
A associação considera que é necessária uma mudança no modelo de gestão do território, defendendo que a prevenção dos incêndios deve passar por uma paisagem mais diversificada e resiliente perante um clima que considera “mais seco, mais quente e mais propício aos incêndios florestais”.

