Quarta-feira, 16 de Junho de 2021
Victor Pereira
Pároco. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Recebemos um Jardim, não deixemos um deserto

O Papa encerrou, dia 25 de maio, o ano dedicado à Encíclica Laudato Si, que publicou em 2015, sobre o cuidado da casa comum, considerada uma Encíclica marcante do seu pontificado, que despoletou uma grande reflexão a nível global sobre a ecologia, o ambiente e os graves problemas climáticos que fustigam o planeta terra, a nossa casa comum.

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Para assinalar o encerramento deste ano de oração, celebração e reflexão ecológica, o Papa Francisco lançou a Plataforma de Ação Laudato Si, sublinhando a necessidade de enfrentar a atual “crise ecológica sem precedentes”. Propõe uma jornada de sete anos, com propostas de vida sustentáveis, para que todas as comunidades católicas “se tornem totalmente sustentáveis, no espírito da ecologia integral”. O desafio foi lançado, em particular, a sete realidades: famílias; paróquias e dioceses; escolas e universidades; hospitais; empresas e negócios agrícolas; organizações, grupos e movimentos; institutos religiosos.

São muitos os sinais que nos chegam todos os dias de que o planeta está em sofrimento. São facilmente verificáveis altos índices de poluição, cresce a temperatura no planeta, o ar está a ficar irrespirável em muitas cidades e partes do planeta, o clima está a ficar severo e intempestivo, com grandes extremos, aumenta a seca em muitas regiões do globo, desaparecem espécies animais e vegetais todos os anos, estão-se a destruir maravilhosos habitats naturais anualmente, o mar recebe toneladas de lixo e está cada vez mais contaminado. Grande parte destes problemas deve-se à nossa ação humana. Não podemos continuar a alimentar um modelo económico que assenta sempre no maior crescimento possível e só pensa no lucro a qualquer custo, como se o planeta nos tivesse de dar quanto queremos e quando queremos, numa exploração desmesurada e permanente de todos os recursos da terra, que são finitos.

O Papa fala várias vezes na palavra conversão. É preciso mudar de mentalidade e mudar de vida, refundar a forma como olhamos para a terra e para os seus recursos, a forma como a usamos e como cuidamos dela. A terra não é um planeta incólume a todo o tipo de agressões e violações. A ação humana irresponsável está a causar enormes desequilíbrios na sua sustentabilidade. Temos de ser bons jardineiros e bons cuidadores da terra, combatendo abusos, desperdícios e negligências para com a casa comum onde todos habitamos. Quem vem a seguir a nós merece ter recursos e uma boa casa para viver bem.

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