Vive num moinho, em condições miseráveis, uma família da aldeia de Capeludos, junto ao rio Tâmega. Num quarto que mais parece uma pocilga, amontoa-se a roupa. Nele chegam a dormir seis pessoas: pai, mãe e quatro filhos (dois são gémeos, com nove anos de idade).
Este espaço é um negro cartão de visita das precárias condições de habitabilidade desta família. No Inverno, quando o rio cresce, o Tâmega passa por baixo das suas camas!
“Já vivo aqui, desde pequenino. Isto era do meu bisavô, mas bem precisava de uma casinha melhor“ – desejo de Manuel Covas, de 60 anos.
No quarto escuro e defumado pela lareira próxima, o soalho abana e já lhe faltam tábuas. Casa de banho e água canalizada são “luxos” que não têm. A mulher, Carminda Fontes, de 45 anos, também “gostava de ter outra casa, para viver”.
Trabalhos não têm. “Às vezes, lá faço uns trabalhitos, no campo, para outros, mas é pouca coisa!” – disse-nos Manuel Covas.
A miséria desta família não passa despercebida, na aldeia.
O Conselho Directivo de Baldios ofereceu-lhe um terreno, para construir uma casa. Também a Comissão de Protecção Municipal de Crianças e Jovens em Risco foi obrigada a intervir e colocou os dois gémeos numa família de acolhimento, em Pedras Salgadas. Andam a estudar, na Escola Básica local, e regressam, aos fins- -de-semana, para Capeludos.
Uma fonte da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar disse que “a família em questão recebe o Rendimento Social de Inserção e os gémeos têm alimentação, livros e transportes gratuitos”. Em relação à casa, “foram tentadas várias formas de nela intervir, esbarrando todas no facto de a mesma não pertencer à família“.
Apurámos, também, que a Segurança Social entrega, todos os meses, um cabaz de alimentos, a esta família.
Jmcardoso





