A “Feira dos Treze”, em Murça, vai ficar sempre na recordação de Luís António Lourenço da Costa, de 66 anos, residente na rua Direita, em Pegarinhos. Este homem foi vítima de uma burla, na Avenida da Alameda, ficando lesado em dez mil euros. A abordagem foi perpetrada por dois indivíduos “bem falantes e bem vestidos”, entre os 30 e 50 anos. A promessa de ficar, de mão beijada, com cinco mil euros, fez-lhe perder “tudo o que tinha ganhado, ao longo de mais de trinta anos!”.
Segundo a sua versão, tudo começou por volta das 12 horas, quando vinha dos Correios de Murça, depois de carregar o seu telemóvel.
“Ao virar uma esquina, um indivíduo puxou-me por um braço e, de repente, pediu-me informações, sobre a morada de um cardiologista, porque tinha um recado para lhe dar, sentando-se, de seguida, na beira do passeio, a falar. Foi quando passou outro homem, bem vestido, de sobretudo azul e boina, ao que o primeiro homem lhe perguntou se conhecia o médico. Ele disse que isso era fácil de saber, que ia ver e não demorava”. Luís Costa ficou à conversa com o seu primeiro interlocutor: “Disse que ia almoçar e pediu-me que ficasse com ele, assim fiz”. Entretanto, o outro indivíduo, o da boina, apareceu e disse ao companheiro de circunstância do lesado que o médico já tinha morrido. Foi então que um deles confessou que tinha, para entregar ao médico falecido, vinte mil euros, pertencentes a um galego que tinha trabalhado para ele. Partiu o burlão depois para a efectivação do plano do “conto do vigário”. Disse, ao incauto idoso, que ia dar dez mil euros à Santa Casa de Misericórdia de Murça e cinco mil euros a si, ao que o outro comparsa vigarista pôs no entanto, uma condição: precisava que as testemunhas provassem que tinham o nome limpo no banco e com dinheiro disponível e que mais ninguém fosse sabedor do caso, para não levantar suspeitas, sobre o donativo. “Perguntaram-me se eu tinha e eu disse que sim. Só que o da boina abriu o casaco, tinha qualquer coisa no bolso que me deixou hipnotizado” – disse Luís Costa que acrescentou: “foi então que um deles, para simular a veracidade da intenção, foi buscar uma pasta com dinheiro que abriu, para eu ver, dizendo-me: agora é a sua vez, vá lá buscar o dinheiro. E eu fui à Caixa de Crédito Agrícola de Murça. Foi a minha desgraça”.
O golpe final seria dado quando mandaram Luís Costa “comprar comprimidos, para a diarreia!”, para um dos burlões. Quando chegou ao local, dos “benfeitores” nem rasto. A GNR está a investigar este caso.
Jmcardoso




