Sábado, 20 de Julho de 2024
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“Tem-se a ideia errada de que as Misericórdias têm muito dinheiro”

A afirmação é de Vítor Santos, provedor da Misericórdia de Vila Real. No “Contrasenso”, o responsável falou, por exemplo, dos jogos da Santa Casa, que contribuem para essa ideia.

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“Os jogos são do Estado. O ministério das Finanças vai lá buscar uma parte e distribui pelas misericórdias do país, mas a maior fatia do bolo fica em Lisboa”, explica.

Ainda sobre a vertente financeira, Vítor Santos admite que “temos que ser sustentáveis a nível económico, porque não é possível manter-se uma instituição como esta com resultados permanentemente negativos. Qualquer dia não há recursos e, por isso, é preciso ter alguma contensão”.

Com 203 colaboradores, a Misericórdia de Vila Real tem, “só com o pessoal, gastos na ordem dos 3,5 milhões de euros anuais”, indica, revelando que “tirando o município, a universidade e a Continental, somos um dos grandes empregadores do concelho. Muitas famílias dependem de nós”.

A Santa Casa apoia as famílias desde os recém-nascidos aos seniores. Segundo o provedor, “o envelhecimento da população, e a pouca possibilidade das famílias para acompanhar os seus familiares, é um dos grandes desafios da atualidade”. A estes junta-se o fenómeno da imigração, com Vítor Santos a admitir que “muitos imigrantes têm-nos pedido, principalmente, trabalho”.

“Nota-se mais este fenómeno, sobretudo, nas creches e nos jardins de infância”, revela.
Voltando à vertente financeira, “o Estado comprometeu-se a suportar metade das contas de instituições como a nossa, no âmbito de um acordo de cooperação, mas, neste momento esse valor não passa dos 33%”. Desta forma, indica, “o valor em falta é suportado pelas famílias ou pela Misericórdia, mas como as famílias não têm capacidade para tal, sobra sempre para nós”.

De acordo com o provedor, “para se ter uma ideia, recebemos, por parte do Estado, 473 euros por criança, mas cada uma custa-nos 594 euros. Quem paga essa diferença somos nós”.

“Dependemos muito de donativos de beneméritos, que hoje são cada vez menos”, admite, revelando que “também os voluntários são em número cada vez mais reduzido”.
Vítor Santos chegou à Misericórdia “muito novo, por convite do antigo provedor Fernando Gramacho” e, em 2003, “fui convidado pelo padre Gomes para fazer parte dos órgãos sociais, como tesoureiro”. Hoje é provedor, cargo que ocupa desde o início deste ano, e mostra-se “sempre disponível para dar o melhor por esta comunidade”.

“O que me motiva é dar sempre o melhor de mim em prol dos outros”, frisa, confessando que “se existisse uma palavra para me caracterizar seria ‘social’ porque desde os 16 anos que o voluntariado faz parte de mim”.

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