Sábado, 2 de Julho de 2022

“Temos feito uma grande aposta na formação de adultos”

Sediado no centro da vila de Alijó, o Agrupamento de Escolas D. Sancho II agrega nove estabelecimentos de ensino, dispersos por todo o concelho, desde o pré-escolar até ao ensino secundário.

Para Carlos Peixoto, diretor do agrupamento, o importante é “formar bons cidadãos” e isso passa por “termos alunos que sejam capazes de responder aos desafios do dia a dia, encontrando as melhores soluções para os problemas e que consigam adaptar-se a um mundo em constante mudança”.

“É fundamental dotar os alunos de competências como a autonomia ou a cooperação, até porque são requisitos primários nas ofertas de emprego”.
E a pensar no futuro dos jovens do concelho, a oferta educativa tenta ir ao encontro das suas preferências, mas, sobretudo, das necessidades da região.

“Vamos manter a oferta educativa dos anos anteriores, sendo que a diferença é a nível do secundário, onde vamos ter o curso de artes visuais. Na nossa região, penso que só a Camilo Castelo Branco, em Vila Real, é que tem essa oferta”, avança, referindo que “temos um grupo de alunos do 9º ano muito interessado nesta área e queremos ir ao encontro das suas preferências”.

Já nos cursos profissionais, “vamos abrir cursos novos, neste caso o de Técnico de Restaurante/Bar e o de Técnico de Informática – Sistemas. Eram os cursos que tencionávamos abrir e foram aceites”, sublinha.

“Um dos objetivos é formá-los em áreas que permitam fixá-los na região, tendo em conta que temos cada vez mais oferta de qualidade no âmbito da hotelaria e restauração”, admite o responsável.

PRECONCEITO COM ENSINO PROFISSIONAL

Com cerca de 950 alunos, o Agrupamento de Escolas de Alijó dispõe de uma oferta formativa diversificada, desde os cursos científico-humanísticos, que abarcam as áreas das Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas, Línguas e Humanidades, até aos cursos profissionais, que se assumem como áreas de atividade com interesse para a região.

A verdade é que, e tendo em conta que a região tem uma população cada vez mais envelhecida, “temos vindo a perder alunos ao longo dos anos”, lamenta Carlos Peixoto.
Ainda assim, “há cada vez mais alunos a seguirem para o ensino superior, principalmente para a UTAD, em particular desde que o acesso por parte dos alunos do ensino profissional foi facilitado”.

“Há muitas pessoas, entre elas os encarregados de educação, que olham para os cursos profissionais como sendo uma formação menor e isso é um erro”
CARLOS PEIXOTO
DIRETOR

Contudo, continua a haver algum preconceito para com o ensino profissional.

“Há dois anos havia muito mais, mas ainda há muitas pessoas, entre elas os encarregados de educação, que olham para os cursos profissionais como sendo uma formação menor e isso é um erro. Felizmente, essa ideia começa a desaparecer”, salienta Carlos Peixoto.

“Se, por um lado, os cursos científico-humanísticos preparam o aluno para ingressar no ensino superior, um curso profissional permite-lhe enveredar por dois caminhos distintos. No final do 12º ano está apto a desempenhar uma profissão, ou, se pretender, para ingressar no ensino superior, uma vez que adquire igualmente as competências necessárias. No fundo, as modalidades acabam por se complementar”, acrescenta.

PROJETOS

São vários os projetos que dinamizam as atividades da Escola D. Sancho II. Em jeito de brincadeira, Carlos Peixoto admite que “alguns professores até dizem que estamos envolvidos em projetos a mais, somos uma escola muito dinâmica nesse aspeto”.

Uma das apostas é no Erasmus+, um programa da União Europeia que atua nos domínios da educação, da formação, da juventude e do desporto. “Temos seis projetos em funcionamento, com 15 países envolvidos. São iniciativas que envolvem todos os alunos, exceto os de 1º ciclo”.

Outra aposta, “muito forte, tem a ver com projetos de robótica e programação, que começa no pré-escolar”, indica, explicando que “atuam no âmbito do desenvolvimento do raciocínio lógico e na computação. Os alunos fazem programação simples para os movimentar e tendo em conta a faixa etária fazem outros trabalhos. É algo que gostam muito e que me deixa satisfeito”.

Por isso, para quando um curso de robótica no agrupamento? “O problema é que não basta querer, têm que nos dar autorização para tal, mas estamos a trabalhar nesse sentido”, frisa.

Além do ensino regular e profissional, desde 2019 que este agrupamento aposta na formação de adultos. “Somos, desde esse ano, um Centro Qualifica. A verdade é que começamos numa época difícil, porque foi quando surgiu a pandemia, o que nos dificultou a divulgação e captação de pessoas”.

“Felizmente, temos vindo a conseguir angariar cada vez mais interessados. Temos formandos não só de Alijó, mas também de Carrazeda de Ansiães, Murça e Sabrosa”, conclui.

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