“Uma das nossas prioridades para este mandato passa por estarmos atentos ao internato médico, que é fundamental e, em Portugal, temos uma formação de excelência”, afirmou Fernando Salvador, referindo que, “graças a esta excelência de formação temos, infelizmente, muitos médicos a emigrarem”.
Fernando Salvador coloca, como outra prioridade, “a fixação de médicos no nosso território”, aproveitando para comentar as vagas para médicos de família, em que das 585 a nível nacional, apenas 231 foram preenchidas.
“Alertámos, há meia dúzia de meses, que na nossa área de intervenção temos cerca de 16 mil utentes sem médico de família, sendo que, devido à aposentação de sete médicos, em breve, esse número pode aumentar para 30 mil”, indica, mostrando-se preocupado com o facto de “a cobertura da nossa população, no que diz respeito a médico de família, poderá cair dos 97% para os 90%, algo que não podemos aceitar”.
O médico destaca que a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD) solicitou 28 vagas, com a tutela a disponibilizar apenas 10.
“As 10 vagas foram preenchidas por médicos que, eventualmente, daqui a uns meses irão para outros lugares e os que terminaram a sua formação nestes territórios não conseguiram preencher qualquer vaga e terão de ir para os privados ou para o litoral”, frisa, o que “não permite fixar aqui médicos”.
Questionado sobre como tornar o SNS mais atrativo, Fernando Salvador acredita que o primeiro passo é “valorizar os profissionais de saúde que nele trabalham”.
“Se tivermos uma empresa em que os trabalhadores não estão motivados, a empresa não vai funcionar adequadamente”, vinca, acrescentando que “se tivermos profissionais de saúde desmotivados, o SNS não vai funcionar tal como desejado e idealizado”.
“Precisamos de criar centros de excelência no interior”, defende, dando como exemplo “vários países da Europa com grandes hospitais fora das cidades”. A acontecer em Portugal, “seria uma forma de trazer médicos para o interior”. Mas defende, também, “a necessidade de criar parcerias com os municípios para fixar médicos de família”, assim como “centros de afiliação que façam com que os médicos venham trabalhar no interior alguns dias por semana”.
Pede, igualmente, “a revisão dos incentivos fiscais e o número de vagas de internato, porque há, todos anos, muitas vagas para o litoral e poucas para o interior”.
MÁ DISTRIBUIÇÃO
Presente na tomada de posse, José Torres da Costa, presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, deu a sua opinião sobre o atual estado da saúde no país.
O médico admitiu “algumas carências em algumas áreas”, reconhecendo que “no interior essas carências são mais evidentes”. E sobre a falta de médicos, José Torres da Costa é da opinião que isso não “é bem assim”, defendendo que “estão é mal distribuídos ou a realizar funções que não são da sua competência”.
“Portugal tem cerca de 64 mil médicos, o que dá uma média de 5,7 por cada mil habitantes. Somos, dos países da OCDE, o segundo com melhor rácio. Há falta de médicos? Não, o que se passa é que estão mal distribuídos e a fazer, em muitos casos, funções que não lhes compete”, explica, acrescentando que “há, sim, falta de pessoal auxiliar, pessoal administrativo e enfermeiros, o que faz com que os médicos façam esse trabalho”.[/block]




