Fundada no início do século XVI, a Santa Casa da Misericórdia de Vila Real tem como lema “fazer o bem sem olhar a quem”. A instituição dá apoio a mais de 500 famílias e tem disponíveis nove valências: Creche, Jardim de Infância, Casa de Acolhimento Florinhas da Neve, Centro de Apoio à Vida, Apoio Domiciliário, Lar da Imaculada Conceição, Lar Hotel, Unidade de Cuidados Continuados e Cantina Social.
“Lidamos, diariamente, com vários desafios como a pobreza, o envelhecimento, o isolamento, o desemprego e os fenómenos migratórios”, afirma Vítor Santos. Segundo o provedor, para dar resposta às necessidades da população, “contamos com mais de 200 colaboradores”, admitindo que “é cada vez mais difícil recrutar pessoal, sobretudo para as valências de apoio a idosos”. A solução passa, muitas vezes, por contratar “mão de obra estrangeira”.
“Colocamos o coração em tudo o que fazemos e o nosso objetivo é servir as pessoas e as famílias com qualidade e generosidade”, vinca.
Além das pessoas que acolhe nas diferentes respostas sociais, a Misericórdia de Vila Real “faz um esforço muito significativo a nível financeiro”.
“Temos um orçamento anual da ordem dos seis milhões de euros, sendo que 67% diz respeito a gastos com o pessoal”, revela Vítor Santos, indicando que “1/3 do orçamento é assegurado pelo Estado, através de protocolos, os restantes 2/3 são suportados pelas famílias e pela Misericórdia”.
FLORINHAS DA NEVE
Entre as valências disponíveis, Vítor Santos destaca a Casa de Acolhimento Florinhas da Neve, que está a comemorar 100 anos.
“Neste momento, o espaço acolhe 27 meninas, que são referenciadas pelo Tribunal ou pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens”, mas também cinco meninos, “como forma de não os separar das irmãs”. São crianças “retiradas às famílias pelas mais variadas razões” e que chegam a esta casa com “uma bagagem emocional muito grande”.
“Estamos a falar de situações de violência, abusos sexuais ou abandono”, vinca Vítor Santos, revelando que “é uma valência pela qual temos um carinho especial”.
Segundo Rita Lisboa, diretora da Casa de Acolhimento Florinhas da Neve, “a nossa função é educar estas crianças, acarinhá-las e fazer o papel dos pais e das famílias. São crianças e jovens com uma bagagem enorme, com histórias de vida muito complicadas”.E dada a importância desta valência, o centenário está a ser preparado com pompa e circunstância, havendo várias iniciativas previstas, com destaque para a Exposição Florinhas da Neve, cuja inauguração acontece no dia 17 de outubro, no Museu da Misericórdia, e também para o Concerto de Saxofonistas, dia 6 de novembro, na Igreja da Misericórdia.
“Queremos, em breve, colocar estes dois espaços ao serviço da comunidade”, refere o provedor.
Do programa faz ainda parte um concerto da Banda de Música da Portela (dia 21 de junho), o colóquio “Florinhas da Neve: Passado, Presente e Futuro” (dia 7 de novembro) e um concerto de órgão, no dia 18 de dezembro, por Giampolo Di Rosa, na Sé de Vila Real.
O ponto alto das comemorações acontece no dia 8 de dezembro, com uma eucaristia na Sé, um encontro com vários oradores e também dois momentos musicais.





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