Terra de lobos, fumeiro e “bruxas”

Com 9.142 habitantes, o concelho de Montalegre é conhecido, entre outras coisas, pelo fumeiro e pela Sexta 13, eventos que atraem, todos anos, milhares de pessoas. Mas há muito mais para descobrir, seja no meio da natureza ou à mesa, onde não pode faltar o cozido à barrosão ou a posta

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Situado no vale do Cávado, entre as serras do Gerês, Barroso e Larouco, o concelho de Montalegre é rico em história, tradição, costumes e lendas. E embora seja uma região pouco turística, a verdade é que Montalegre tem muitos locais para visitar, como o imponente castelo, que serve de cenário às celebrações da Sexta-feira 13, o Ecomuseu do Barroso, o Mosteiro de Pitões ou o Centro Interpretativo do Lobo Ibérico, espaço no qual os visitantes são convidados a conhecer esta espécie protegida, o seu habitat e as lendas que lhe estão relacionadas. Tudo isto acompanhado por boa gastronomia, onde se destaca o cozido à barrosão.

Localizado no distrito de Vila Real, Montalegre é um dos seis concelhos que compõem a sub-região do Alto Tâmega. E à semelhança do que acontece um pouco por todo o país, sobretudo nos municípios do interior, também aqui se verifica uma perda de população significativa. Se recuarmos até 1960, Montalegre tinha 32.728 habitantes, número que foi decrescendo nos anos seguintes. Em 1970 a população rondava os 23 mil habitantes, baixando para os 19.403 (1981), 15.464 (1991), 12.762 (2001), 10.537 (2011) e 9.261 (2021).

Atualmente, e de acordo com dados relativos ao ano de 2023, Montalegre tem pouco mais de nove mil habitantes, espalhados por 25 freguesias, num total de 805,46 km², sendo que 40,6% da população tem mais de 65 anos. Esta perda de população verifica-se, desde logo, no número de nascimentos, que em 2023 foram 30, contrastando com o número de óbitos, que foi de 182. Quer isto dizer que o saldo natural, ou seja, a diferença entre nascimentos e mortes, é negativo (-152).

E olhando, também, para o setor da educação, é possível perceber que Montalegre é um concelho envelhecido, contando com 775 alunos, distribuídos por cinco estabelecimentos de ensino pré-escolar, três de do 1º, dois do 2º, dois do 3º ciclo e dois do ensino secundário.

A nível económico, a agricultura e pecuária desempenham um papel crucial na subsistência das comunidades locais e na preservação do património cultural. A criação de gado de raça barrosã é uma das principais atividades pecuárias da região, daí que a autarquia tem vindo a investir no apoio aos produtores desta raça autóctone. Mas também o fumeiro é uma alavanca importante na economia local, tanto que há até uma feira que lhe é dedicada, em janeiro, e que atrai visitantes de todo o país e também da Espanha, que provam e comprovam a qualidade dos produtos. Na agricultura destaca-se a produção de batata, centeio e produtos hortícolas.

A vila foi fundada a 9 de junho de 1273, aquando do foral concedido por D. Afonso III. Este foral é depois confirmado por D. Dinis em 1289, D. Afonso IV em 1340, D. João II em 1491 e D. Manuel, em 1515, que o converte em foral novo.

O concelho de Montalegre faz fronteira, a norte, com Espanha, sendo limitado a leste por Chaves, a sudeste por Boticas, a sul por Cabeceiras de Basto, a sudoeste por Vieira do Minho e a oeste por Terras de Bouro.

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