Sexta-feira, 5 de Junho de 2026

Vinho dos Mortos: uma tradição que celebra a cultura e a história local

O Vinho dos Mortos é um vinho regional transmontano produzido com uvas provenientes de vinhas localizadas nas encostas da vila de Boticas, que possuem condições de clima e solo particulares. Uma região classificada como Património Agrícola Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

CONTEÚDO PATROCINADO >

A história do Vinho dos Mortos remonta ao ano de 1808, aquando da 2ª Invasão Francesa.

De forma a tentar proteger o seu território e património, a população de Boticas escondia os seus pertences mais valiosos, incluindo o vinho, que foi enterrado no chão das adegas, debaixo das pipas e dos lagares. Mais tarde, os habitantes recuperaram as casas, os seus bens e os vinhos que outrora enterraram. Quando o fizeram, julgaram que este estaria estragado, no entanto, descobriram que, pelo contrário, tinha adquirido propriedades inusitadas, ficando mais saboroso, devido ao processo de fermentação natural durante o período em que ficou enterrado. Um vinho que foi produzido a uma temperatura constante, tornando-o mais apaladado e gaseificado.

É um ex-libris de Boticas que se designa, até aos dias de hoje, como “Vinho dos Mortos” por ter sido “enterrado” e, desde então, passaram a utilizar esta técnica, pelo menos durante um ano, para melhorar a sua qualidade e consistência.

Nuno Pereira, produtor do Vinho dos Mortos, desde criança que ajudava os pais neste processo e acabou por ficar com o negócio da família. Em 2021 fez um rebranding da marca e, desde então, está mais dedicado ao projeto.

Considera que o vinho tem evoluído e explica que “é um vinho mais estruturado, mas continua a ser feito a partir das uvas das vinhas centenárias. Todo o processo é manual. “Depois de vindimar, fazemos a pisa a pé em lagares graníticos e é feita a fermentação em lagar e posterior engarrafamento”.

A tradição de “enterrar” o vinho foi-se transmitindo de geração em geração, no entanto, atualmente, há poucos agricultores que a cumprem. Nuno confessa que “mantemos esta tradição e enterramos o vinho no chão da nossa adega”. Depois de cumprir o prazo mínimo de cerca de oito meses debaixo de terra, é retirado conforme “houver necessidade para venda”, explica.

Ao longo dos anos apostaram na divulgação, tanto a nível nacional como internacional, tendo atingido uma grande procura, principalmente na época de verão, na altura do Halloween e no Natal. Mas salienta que “tem esgotado mais rapidamente e, neste momento, o stock que temos é apenas para eventos de divulgação e promoção. Só voltará a estar à venda quando a nova colheita estiver pronta”.

Com uma produção limitada, e cerca de quatro mil garrafas da colheita de 2022, Nuno confessa que “tem havido uma maior procura por este produto”.
Falar no Vinho dos Mortos é falar de Boticas, uma imagem de marca do concelho que tem tido cada vez mais sucesso e procura.

Outros Artigos

“Vamos ampliar a zona industrial e criar mais emprego”

Vice-presidente desde 2013, Guilherme Pires assumiu a presidência da autarquia este mês, após Fernando Queiroga tomar posse como deputado na Assembleia da República. O autarca destaca a proximidade com a população como chave para o sucesso, mas mostra-se preocupado com a dificuldade em atrair e fixar população

Terra de Fernão Magalhães, Miguel Torga e beleza natural

Com 5.634 habitantes (2023), o concelho de Sabrosa é conhecido por ser a terra de Fernão Magalhães e Miguel Torga. Mas há muito para descobrir neste território banhado pelo Douro, dono de uma beleza natural única

Muito para ver, mas também para comer

Situado na região do Douro, o concelho de Lamego tem muito para ver, mas também para comer, tornando-se um verdadeiro paraíso para os amantes da gastronomia. E há muito por onde escolher, desde a famosa bôla de Lamego, passando pelos biscoitos da Teixeira, pelo cabrito assado ou pelo presunto.

Raça Barrosã cada vez mais valorizada pela qualidade

No concelho de Montalegre, tem vindo a aumentar o número de criadores e também de efetivo desta raça autóctone. Atualmente, existem cerca de 2.500 animais adultos (fêmeas e machos), e só no ano passado registaram-se 1.577 nascimentos.

Ecomuseu guarda a história e tradições do Barroso

Com vários polos espalhados pelo concelho, o Ecomuseu do Barroso tem como missão salvaguardar e perpetuar o património cultural e material, as tradições e a ruralidade que são características deste território.

Requalificação do Parque de Campismo dá lugar ao Eco Park

Arrojado, inovador, atrativo e projetado para responder às tendências de mercado e expectativas dos turistas atuais, a criação do Vila Flor Ecopark assenta numa estratégia de qualificar a oferta com o compromisso de sustentabilidade ambiental, económica e social.

Cultura e turismo de mãos dadas

Situado no coração da vila de Boticas, o Centro de Artes Nadir Afonso é considerado uma das mais importantes instituições culturais do concelho e um pilar fundamental para o desenvolvimento turístico local.

Boticas Parque uma porta de entrada no concelho

O Boticas Parque - Natureza e Biodiversidade, situado no concelho de Boticas e que abrange as freguesias de Vilar, Codessoso e Beça, é um centro de natureza e biodiversidade que promove o turismo sustentável, a educação ambiental e a valorização dos recursos locais.

28 bolsas de estudo entregues a alunos do Ensino Superior

Os alunos abrangidos por esta medida receberam, no ano passado, um apoio financeiro no valor de mil euros, para fazer face às despesas associadas aos estudos. Este apoio, dado pela autarquia, pretende criar condições para que os mais jovens possam prosseguir com os seus estudos.