Segunda-feira, 4 de Julho de 2022

Torneio Simão Sabrosa deu prejuízo

Terminou o Torneio Simão Sabrosa, em Constantim, no dia 26 de Julho, com a vitória da equipa “Minister Discoteca” que, além do troféu, recebeu um cheque de 750 €. O torneio foi organizado pela Comissão de Festas da Freguesia de Constantim, com o intuito de angariar fundos para patrocinar as festas que decorreram, neste fim-de-semana, […]

Terminou o Torneio Simão Sabrosa, em Constantim, no dia 26 de Julho, com a vitória da equipa “Minister Discoteca” que, além do troféu, recebeu um cheque de 750 €.

O torneio foi organizado pela Comissão de Festas da Freguesia de Constantim, com o intuito de angariar fundos para patrocinar as festas que decorreram, neste fim-de-semana, nesta localidade, conforme tem sido hábito, ao longo da última década.

Pela primeira vez, o torneio contrariou a sua tendência e deu prejuízo superior a 1600 €, atendendo às custas com a arbitragem, publicidade, bolas, prémios e outras despesas inerentes à competição. Este prejuízo deveu-se, essencialmente, à falta de financiamento do único patrocinador oficial, Simão Sabrosa, que acordou 1500 € para prémios e apenas deu 500 €.

A Comissão de Festas falou com o jogador, pessoalmente, no dia 17 de Junho, quando Simão Sabrosa esteve em Cons-tantim, para assistir à primeira comunhão da sobrinha Marta, onde foram acordadas as verbas, mostrando os cartazes dos torneios “Simão Sabrosa”, para Seniores, e “Simãozinho”, para Juvenis. Uma semana antes, a organização já tinha tido luz verde, pela família, depois desta o ter contactado, via telemóvel, para o patrocínio do Torneio.

Lamentavelmente, a poucos dias do final do torneio, foi entregue ao grupo incumbido de realizar as festividades e o torneio um cheque em nome do jogador de, apenas, 500 €, sem apresentar qualquer razão para tal facto.

Os constantinenses que, nestes dias, tiveram direito a vários tempos de antena, nos “media” nacionais, devido ao craque Simão Sabrosa ter ido para o Atlético de Madrid, por uma transferência milionária, para ganhar uma soma astronómica de 400 mil euros, por mês, sentiram um misto de alegria pelo filho da terra ter atingido um patamar tão alto, no desporto mundial, e uma enorme tristeza, por, mais uma vez, este os ter humilhado e esquecido, não só pelo que não deu, mas, principalmente, pelo que prometeu e não cumpriu.

Dizem alguns, tentando desculpar o que não tem desculpa, que ele saiu cedo de Constantim, perdendo as raízes. Nada mais falso, pois que o Simão Sabrosa sempre foi acarinhado, na aldeia que sempre acompanhou a sua carreira. Mesmo quando era desconhecido da maioria dos portugueses, sempre teve recortes de jornais, com notícias suas, nos principais cafés da freguesia. Até aos 21 anos, sempre passou férias em Constantim, convivendo e jogando futebol com os mais velhos e, principalmente, com os mais novos, no ringue de futebol onde decorreu o torneio com o seu nome. As coisas só se alteraram, quando, há sete anos atrás, lhe perguntaram se ele contribuía para a festa, ao que ele respondeu: “já dou o nome”.

Do Simão Sabrosa, os constantinenses só querem que reconheça que eles foram peça importante para ele ser o que é hoje, um grande jogador de futebol, pois foram eles que lhe deram as primeiras bolas de futebol, foram eles que primeiro souberam reconhecer as suas qualidades futebolísticas e, por fim, foram eles que pressionaram os seus pais para o deixar sair, para o Sporting CP. Se não, acontecia o que aconteceu como o irmão Serafim e com muitos outros miúdos que os pais não os deixaram sair de casa.

Também lhe queremos dizer que não tem que nos dar nada, se essa é sua intenção. Ficava- -lhe bem contribuir para o progresso da sua freguesia e região, como fazem tantos outros colegas dele, com o mesmo estatuto ou ainda mais baixo que não esquecem as origens. Mas, se pretende continuar a ter este tipo de atitude para com os constantinenses e não demonstrar que tudo não passou de um mal-entendido, é mais bonito dizer, abertamente: “Não dou”, do que alimentar esperanças de quem precisa e muito se esforça, em prol da freguesia.

Os constantinenses não merecem ser tratados deste modo.

 

Domingos Valente

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