Vila RealTrás-os-Montes “à frente”, no tratamento dos tumores de fígado

Trás-os-Montes “à frente”, no tratamento dos tumores de fígado

Desde o início do ano que dois doentes da área da Oncologia do Centro Hospitalar transmontano estão a ser tratados com uma terapêutica inovadora, a nível da Região Norte. O tratamento que custa 3.500 euros mensais será aplicado em “casos muito específicos” de doentes com tumores de fígado, em fase muito avançada.   O Centro […]

Desde o início do ano que dois doentes da área da Oncologia do Centro Hospitalar transmontano estão a ser tratados com uma terapêutica inovadora, a nível da Região Norte. O tratamento que custa 3.500 euros mensais será aplicado em “casos muito específicos” de doentes com tumores de fígado, em fase muito avançada.

 

O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) é o primeiro da Região Norte a ministrar, desde o início do ano, o “Sorafenib”, um novo fármaco, proveniente de investigações de ponta e que traz consigo a esperança do prolongamento e da melhoria na qualidade de vida de doentes com tumores de fígado, em estado avançado.

“Já temos dois doentes incluídos neste tratamento”, referiu José Presa, médico hematologista do CHTMAD, explicando, ao Nosso Jornal, que “infelizmente”, em breve, outros doentes serão tratados com a nova terapêutica.

O médico advertiu, no entanto, que o doente deve ter um perfil muito específico, ou seja, “a utilização deste fármaco tem indicações muito precisas, dentro dos casos de tumores de fígado. Nem todos os doentes podem tomar este medicamento”.

José Presa explicou, ainda, que a terapêutica que, na prática, é uma quimioterapia via oral, “surge depois de investigações de ponta” e que está já a ser utilizada, com sucesso, noutros países.

Em Portugal, o “Sorafenib” é utilizado em “meia- -dúzia de hospitais” e, embora outros já tenham manifestado o desejo de começar a aplicar a nova terapêutica, o CHTMAD foi o primeiro, na Região Norte, a ter permissão para o fazer, o que, como explicou o hepatologista, se prende, por um lado, com o nível médico do hospital, com o seu “know-how”, “os conhecimentos para o aplicar, adequadamente”, mas, também, com a sensibilidade do seu Conselho de Administração, ao perceber a importância da utilização de um fármaco tão dispendioso.

O tratamento com “Serafenib” implica um investimento de 3.500 euros mensais, por doente, sendo que o tratamento se prolonga, no máximo, por seis meses, depois dos quais será feita uma avaliação de cada caso. Pelos valores envolvidos, a utilização deste fármaco deve decorrer de “forma muito criteriosa e muito bem balizada”, frisou José Presa, voltando a esclarecer, como “muito importante”, saber que “nem todos os doentes com tumores de fígado podem ser tratados com este medicamento”.

Quando se fala em Oncologia, se conseguirmos prolongar a vida, com qualidade, por exemplo, de cinco para oito meses, a título de exemplo, é muito importante. Em termos de doentes oncológicos, em fase muito avançada, é uma conquista”, considerou o médico.

Apesar de não avançar ainda com os dados relativos ao CHTMAD, relativos a 2007, José Presa lembrou que, a nível mundial, as estatísticas mostram que “o tumor de fígado é o sexto com maior prevalência na população e Portugal segue essa tendência”.

“Em Portugal, não deveríamos ter uma perspectiva tão negativa, porque não temos tantos casos de Hepatite C, doença que, nos outros países, é a grande geradora dos tumores do fígado”. No entanto, o médico também lembrou que a Hepatite C é uma doença “muito silenciosa e escondida”, já que, “apesar dos números indicarem que cerca de 1,5 por cento da população portuguesa tenha a doença, ou seja, cerca 150 casos possíveis, apenas temos diagnósticos de uma pequena percentagem”.

Em Portugal, a primeira causa da doença hepática terminal é, mesmo, o consumo do álcool.

“Infelizmente, estamos numa região de elevadíssima prevalência do alcoolismo e, consequentemente, de uma elevadíssima prevalência de doença hepática terminal, provocada pelo álcool”, revelou José Presa.

Enquanto os casos detectados precocemente (com a prevenção e o vigiar constante dos doentes de maior risco) fossem dirigidos para tratamentos curativos, no caso dos doentes em estado avançado da doença, “não havia nada a fazer”. Com o “Sorafenib”, “traçamos a diferença entre o nada e um medicamento que permite prolongar a vida do doente” – concluiu José Presa.

 

Maria Meireles

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