Em Santo Xisto, lugar pequeno do concelho de Peso da Régua, com pouco mais de 50 habitantes, a consternação é geral e ninguém consegue esconder as lágrimas de tristeza. As cabeças estão baixas e todos lamentam a perda dos amigos e o sofrimento das famílias.
A notícia da morte dos três filhos da terra chegou à aldeia, através de um telefonema de Mário Ferreira, precisamente um dos feridos (ligeiro), “feito de telemóvel, quando ainda se encontrava na carrinha sinistrada”.
O pequeno café da aldeia cedo começou a ser o ponto de encontro de todos aqueles que conheciam as vítimas.
“Estavam todos a trabalhar juntos, há, talvez, um ano e, normalmente, era o José Silva (o condutor, na altura do acidente) e o Aires que conduziam, alternadamente. Saíam, ao Domingo, por volta da 20 horas e chegavam na Sexta-feira, à noite”, conta Francisco Sousa, cunhado de José Silva.
Na casa dos pais de Hélder Conceição, a dor misturava-se com a angústia.
“Andavam tão longe a orientar as vidas e dois deles pretendiam construir casa. Agora, acabou tudo assim” – lamentou Carmen Luísa, irmã do Hélder, que realçou o facto de terem tido apoio psicológico, quando chegaram ao hospital. Os seus pais, António Conceição e Adelina Santos, com os olhos marejados de lágrimas, não foram para Espanha, mas a dor não tinha distância, nem deixava sair palavras.
A poucos metros, o luto também mora na casa de José Silva. A sua mulher e mãe seguiram logo para Espanha, ficando a Bárbara, de 14 anos (sua filha) e o irmão, na casa da sua tia. Os olhos estão vazios, as mãos metidas nos bolsos das calças, não conseguindo expressar sentimento algum. O pequeno José come bolachas, alheio ao sofrimento que o rodeia. A idade não lhe permite entender.
“Aquela pobre mãe foi para Espanha, buscar o David morto e o Mário ferido” – lamentou-se Dulce Conceição, tia do Hélder e residente em Presegueda (Vilarinho dos Freires).
A outra “face da moeda” desta tragédia esteve patente na alegria das filhas de Aires Manuel, carpinteiro, Cristina e Cristiana: “A minha mãe está junto ao meu pai e ligou a dizer que está melhor” – disse, visivelmente aliviada, Cristina.
Passaram um mau bocado. Além do acidente, toda a família temeu por Cristiana que fez uma operação cirúrgica ao coração, na semana anterior. Mas o susto já tinha passado, “Agora, só queremos que ele venha, depressa, para casa” – disse.




