PERFIL

Fundação: 03/05/1945
Elementos:25
Num convívio levado na brincadeira, na altura da festa, algumas pessoas começaram a juntar-se, conta Pedro Pinto, atual presidente da associação, “para bater uns bombos e ele [Joaquim Vilela] teve a ideia de criar o grupo”. Assim, em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial, “numa altura em que o país estava novamente a renascer”, este grupo foi oficializado e, apesar de antes só saírem na altura da festa da vila, agora têm inúmeras atividades e até têm de recusar algumas propostas, para puderem descansar.
Tal como os gigantones, que são centenários, e já “percorreram o país e o estrangeiro várias vezes”, também alguns instrumentos são bastante antigos. A primeira gaita de foles, instrumento característico do grupo, foi comprada em Espanha, mas depois disso, “o senhor Joaquim, juntamente com outros membros, fez ele próprio” esses instrumentos. Agora, já contam, por exemplo, com bombos, caixas de rufo, tarolas, entre outros, feitos, ainda hoje, à mão. Quando é necessário fazer a manutenção ou arranjos nestes instrumentos, também são os próprios elementos a fazê-los.
Aliás, aquilo que conseguem angariar nos eventos serve exatamente para isso e para promover a independência do grupo em relação a apoios externos. Têm duas carrinhas de nove lugares para o transporte dos membros e ainda outra com espaço para os materiais. “Nós não queremos estar pendentes de ninguém”, confessa o diretor.
“A qualidade é o que distingue este grupo”, porque, argumenta Pedro, nós oferecemos um espetáculo de música variada, de música tradicional portuguesa, durante mais de uma hora”, sendo que esta distinção pode ser comprovada pelo facto de, em 2007, terem ganhado o Bombo de Ouro, de entre mais de 200 grupos de todo o país.
O Grupo Zés Pereiras de Sanfins do Douro junta, algumas vezes, os membros mais velhos aos mais novos. E as festas na sua vila, que ocorreram no início deste mês, foram a ocasião perfeita para tal. João Azevedo tem 72 anos e apesar de não saber exatamente quando começou, lembra-se que foi “desde novo”. Toca caixa e diz que aprendeu “como toda a gente, ensinamo-nos uns aos outros”.
Foi exatamente o caso de Vitória Rodrigues, que tem apenas 17 anos e é membro há cerca de um. Aprendeu a tocar por vontade própria, “olhando para os outros”, e confessa que entrar neste grupo é um desejo desde criança. Com a mesma idade, Pedro Pinto, filho do presidente, também pertence ao grupo e toca caixa. Apesar do pai ser o responsável, só se deixou “convencer” há cerca de um ano e conta que, no início, tinha começado por tocar bombo, mas não gostou e decidiu então aprender a tocar o instrumento atual. Também aprendeu sobretudo nos ensaios, com a ajuda dos colegas, e em casa.
Olhando para estes dois jovens, João Azevedo confessa que acha importante passar a tradição aos mais novos porque “só passando por aqui é que eles sentem e sabem o que é o Grupo Zés Pereiras de Sanfins do Douro”.
Luís Machado é considerado um membro icónico do grupo porque, com 75 anos, é o mais antigo e diz que nunca faltou a nenhum evento, desde que entrou, com sete anos. Antes proporcionava ao grupo a sua “dança” com os gigantones, agora toca gaita de foles.
“Embora já não possa tocar a andar, gosto de acompanhar o grupo”, finaliza.
Qualquer pessoa pode juntar-se ao Grupo Zés Pereiras de Sanfins do Douro. Os ensaios são ao domingo às 17h30, e não sendo preciso saber tocar nenhum instrumento, apenas é necessário levar vontade de aprender.







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