Há 163 anos a levar “boa música a todo o lado”

Fundada em 1861 e com atividade contínua desde 1980, depois de ser criada a Associação Recreativa, Cultural e Musical de Sabrosa (ARCMS), a Banda de Música de Sabrosa tem atualmente 70 elementos, na sua maioria jovens.

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PERFIL


Fundação: 1861
Elementos: 70

“Tem sido um percurso com altos e baixos, mas, em 1980, um grupo de jovens sabrosenses organizou-se e registou a ARCMS com o objetivo de reativar a banda, que desde então não tem parado”, revela José Adelino, presidente da Banda de Música, adiantando que “é uma banda amadora” e vive da sua escola de música. “Estamos em constante renovação, porque a grande maioria faz disto um ‘hobby’, pois sabemos que é difícil gerir a realidade da banda com a realidade pessoal”.

Mas “também temos profissionais que enveredaram pela música e estão com carreiras consolidadas um pouco por todo o mundo. Posso dizer que temos gente do concelho, mas também de fora. Felizmente, temos muita procura, também porque nós sabemos receber”, sublinha o mesmo responsável, acrescentando que tocar nesta banda “é uma verdadeira paixão que une gerações”.

“A Banda de Música de Sabrosa está aqui para dar e durar por muitas gerações”
José Adelino, presidente da banda

 

Com mais de 100 atividades ao longo do ano, entre ensaios e atuações, uma das maiores dificuldades é substituir os músicos. No entanto, à semelhança do que acontece nos Conservatórios de Música, “o nosso plano formativo permite-nos que os músicos atinjam um nível alto rapidamente. Claro que temos de esperar que as novas fornadas façam esse caminho. Mas é uma realidade com a qual convivemos bem e tudo acontece naturalmente”.

Com elementos que vão desde os 11 aos 75 anos, a banda respira vitalidade. E sinal disso mesmo é João Rocha, que, aos 75 anos, continua a abraçar esta paixão que é a música.

“Estou cá desde os meus 11 anos e tem sido muito bom. Quando vi a banda atuar, decidi juntar-me ao grupo. Já estou aqui há muito tempo e quero continuar até as pernas deixarem”.

“Os mais novos são bem-vindos e o mais importante é que haja respeito por todos”
João Rocha

No percurso que tem trilhado com orgulho, hoje João Rocha toca saxofone-tenor e já tem dois netos que lhe seguem as pisadas. “É um prazer tocar nesta banda. O meu filho toca na banda da GNR, o meu pai foi músico, somos uma família que gosta de música. Aliás, sem música, eu não sou nada”, diz entre um sorriso.

Leonor Perafita, de 11 anos, é uma das mais novas da banda e decidiu juntar-se ao pai que também faz parte da banda. “O meu pai já andava na banda e eu vim também porque gosto de tocar. Agora toco trompa”.

Com 73 anos, António Marques vai com a banda para todo o lado desde os 17 anos, numa paixão que não consegue explicar. “Tenho muito orgulho em pertencer a esta banda. Comecei com o bombo, porque não havia ninguém e continuo com o mesmo instrumento. Hoje, a anca não me quer ajudar, mas enquanto puder vir, venho, porque eu gosto mesmo de estar junto desta juventude a tocar”.

“O meu pai já andava na banda e eu vim também porque gosto
de tocar”
Leonor Perafita

O maestro é Nuno Silva, que veio de Paços de Ferreira e está na banda desde 2019. “Já era da casa antes de o ser. Há um sentimento de partilha e amizade muito grande no grupo e o futuro passa por manter os músicos num bom nível através de uma formação cada vez mais exigente que estamos a implementar.”, conta. “A banda está aqui para dar e durar por muitas gerações”, conclui José Adelino.

 

 

 

 

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