Dezoito anos depois da suspensão da obra, a Barragem de Veiguinhas, que promete resolver os problemas de abastecimento de água de Bragança, vai finalmente avançar, tendo sido entregue no dia um, pela empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, o contrato à empresa responsável pela construção.
A cerimónia foi presidida pelo Primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que se mostrou muito satisfeito em testemunhar “o princípio do fim de um calvário que decorreu durante demasiados anos”.
Jorge Nunes, presidente da Câmara Municipal de Bragança, recordou que “o projeto da barragem foi concebido há 32 anos”. A construção iniciou-se há 25 anos, terminaram há 20 todas as cinco fases previstas, exceto a última, que foi bloqueada por razões de natureza ambiental”, sublinhou.
O autarca lembrou outros pontos do longo processo, frisando que, no âmbito do projeto, “foram emitidas seis Declarações de Impacto Ambiental, cinco desfavoráveis e uma favorável”, bem como realizados estudos sobre 16 alternativas possíveis num território muito amplo”. “Todos os estudos recaíram sempre sobre a solução inicial, e foi essa que foi aprovada e vai avançar no pleno respeito pelas questões ambientais”, esclareceu o edil.
“Temos que adotar soluções que sejam sustentáveis, mas dentro da noção de sustentabilidade cabe a sustentabilidade ambiental e humana, e não podemos deixar de fazer convergir ambas nas soluções que adotamos”, defendeu Pedro Passos Coelho.
As obras de construção da albufeira da Reserva de Água de Montesinho – Barragem de Veiguinhas, que vai servir cerca de 50 mil habitantes dos concelhos de Bragança e Vinhais, representam um investimento de 6,8 milhões de euros e devem começar já no próximo mês e terminar em 14 meses.
Jorge Nunes admitiu que, “entre os muitos projetos já concretizados ao longo de quatro mandatos, este foi o mais importante, o que mais preocupou a gestão municipal e exigiu convicção e firmeza, lutando contra muitas adversidades”. “Hoje é um dia histórico para Bragança”, sublinhou.
Atualmente, “no verão, o abastecimento é feito a partir da barragem de Serra Serrada e, no final do outono e início de inverno, quando a seca se prolonga, o abastecimento é, em parte, feito por transporte em camiões cisterna a grandes distâncias, a partir de outros concelhos, a custos insustentáveis”.
No mesmo dia da cerimónia, a Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, acusou publicamente o Governo de violar a legislação nacional e comunitária ao aprovar a construção da barragem.
“O primeiro-ministro deve ser responsabilizado pela decisão da construção da barragem no Parque Natural de Montesinho”, defendem os ambientalistas, lamentando que “o Governo despreze todas as alternativas existentes à construção de barragem no interior do Parque Natural de Montesinho, como o abastecimento de água a partir da barragem do Azibo ou o alteamento do paredão da barragem de Serra Serrada”.
No âmbito da sua visita a Bragança, Pedro Passos Coelho visitou ainda as obras do Brigantia EcoPark, projeto que, conjuntamente com o Régia Douro Park, em construção em Vila Real, vai constituir o Parque de Ciência e Tecnologia de Trás-os–Montes e Alto Douro.




