Nos tempos em que eu rompia os fundilhos nos bancos dos liceus, a minha professora de português – rígida e exigente, porque sábia – obrigou-me a abolir a palavra “coisa” do meu dicionário pessoal, já que, no publicado, não era possível fazê-lo. “Coisa” era algo que não existia, que não tinha qualquer consistência, nem material nem filosófica. “Coisa” era a palavra usada pelos ignorantes, âncora dos desprovidos de vocabulário, água insalubre que substituía o sumo, na falta dele. E, bem vistas as coisas (lá está o proibido palavrão a vir-me à baila ainda por cima no plural – erro agravado!), “coisa” é coisa nenhuma. Daí tomá-lo eu como um adjectivo pejorativo, em vez do substantivo
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