Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022
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A solução que faltava para os viticultores da região

José Rogério Santos, mais conhecido por Zito, é o rosto por detrás da Douro Ansiães.

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É com orgulho e brilho no olhar que fala da empresa que criou há oito anos e que, desde então, “tem vindo a crescer de forma sustentável”. Mas vamos recuar um pouco mais no tempo. Zito nasceu e foi criado com o Douro e o Tua como pano de fundo, rodeado de vinhas. Assim foi crescendo o interesse pela produção de vinho. Aprofundou os seus conhecimentos no Instituto Politécnico de Bragança, de onde saiu engenheiro.

É então que, em 2013, e já depois de adquirir experiência em outros projetos do setor, decide arriscar e lançar-se num negócio próprio de vinificação. “Sempre tive a noção de que esta região tinha muitas lacunas em termos de escoamento de matéria-prima”, afirma, lembrando que começou “com uma adega muito pequena, para fazer o teste e ver se o negócio dava ou não”. E deu, de tal forma que hoje a Douro Ansiães está instalada na zona industrial de Carrazeda de Ansiães, onde têm “três naves, uma de vinificação de tintos, outra de vinificação de brancos e a outra dedicada ao embalamento e armazenamento”.

À Douro Ansiães chegam, todos os anos, os excedentes de uvas de cerca de 600 viticultores do concelho de Carrazeda de Ansiães. A adega trata de escoar toda a matéria-prima e isso, segundo o proprietário, “dá estabilidade aos produtores”. Para Zito, “a grande mais-valia é vinificar vinho do Porto”, inclusive para empresas de renome na região. “Para escoar os nossos excedentes apostámos no bag in box”, revela. Além disso, a empresa tem três marcas próprias: Pensamento, Vinhas do Tua e ZS, todas elas já medalhadas em concursos de vinhos.

Outra das mais-valias, e talvez parte do sucesso da empresa, é o facto de ser tudo feito com recurso aos mais recentes métodos. “Em termos de tecnologia esta deve ser das adegas do Douro com mais tecnologia de ponta. Desde que as uvas entram na parte da receção, é tudo programado informaticamente”, indica Zito Santos. “Felizmente, temos conseguido escoar tudo o que produzimos”, vinca, indicando que trabalham muito com o mercado nacional e exportam “um nicho muito pequeno para França, Luxemburgo e Suíça”. Contudo, a pandemia veio baralhar as contas e fez com que muito do vinho ficasse no armazém.

“Temos muito vinho em stock e, infelizmente, a pandemia ainda não passou, nem sabemos quando isso vai acontecer. Por isso, há que ter contenção de custos, porque estamos a passar uma fase muito complexa”, frisa.

E não foi só a pandemia que fez de 2020 e 2021 anos atípicos. A vindima deste ano, por exemplo, teve “vinhos de excelente qualidade no início, mas depois vieram as chuvas que comprometeram muito essa qualidade”, com os teores alcoólicos a ficarem “abaixo dos registados num ano normal”. Ainda assim, foi possível vinificar cerca de três milhões de litros de vinho.

Na Douro Ansiães trabalham, a tempo inteiro, dez pessoas, número que cresce para cerca de 60 no pico das vindimas. Zito mostra-se orgulhoso do percurso feito até aqui e, para já, o grande desejo é que “a pandemia passe rapidamente para que a economia retome”, até porque “a restauração, a quem vendíamos bastante, está em crise”, confessa.

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