São 738,5 quilómetros que atravessam Portugal de lés a lés, de Chaves a Faro, assim é a Estrada Nacional (EN) 2, uma ligação rodoviária que, desde o dia 7, além de ligar localidades serve de fio condutor para um projeto que visa a criação de uma Rota que vai dar mais vida à estrada e dinamizar o turismo dos concelhos que atravessa.
Num projeto que partiu da Câmara Municipal de Santa Marta, já são 31 os municípios que aceitaram o repto de se unir numa Associação e que assinaram já um Protocolo de Intenções em torno da EN. “A Nacional 2 é uma excelente oportunidade para desenvolvermos esta parte do território, que é a espinha dorsal do país” sublinhou Luís Machado, autarca de Santa Marta e o grande mentor da ideia de se avançar com a criação da Associação de Municípios Atravessados pela EN2.
Segundo o mesmo responsável, trata-se do “primeiro projeto do género a nível nacional”, já que “atravessa todo o país, é inédito, pioneiro, transregional e tem um valor socioeconómico muito grande, com potencial de crescimento”.
“Este programa visa criar a maior aldeia de Portugal, uma aldeia de vizinhança da Nacional 2. Permite que todos trabalhemos no mesmo sentido, na promoção dos nossos territórios e da nossa gente”, explicou ainda o impulsionador da ideia explicando que, na prática, a estrada vai servir de mote para o desenvolvimento das localidades que atravessa, ao ser um veículo de promoção de “toda a riqueza territorial, da paisagem, da gastronomia, dos produtos locais, do património religioso, de tudo que os municípios têm de bom”.
No âmbito do projeto, que já conta com a adesão de 27 dos 31 municípios atravessados pela EN2, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro já mostrou disponibilidade para desenvolver uma aplicação que sirva de apoio a todos os que pretendem descobrir o país através daquela estrada.
Valdemar Alves, presidente da Câmara de Pedrógão Grande, acredita que a Nacional 2 é “um diamante que tem que ser lapidado”. “Esta é uma ideia excelente para a área do turismo, para o desenvolvimento económico de todos estes concelhos. Daqui podem nascer muitos outros projetos”, enalteceu o autarca do concelho que serve de morada a 20 quilómetros da EN2.
Também António Manuel Bota, da Câmara de Almodôvar, acolheu de imediato a ideia por acreditar que através daquela estrada poderá acrescentar-se “mais valor, potencialidades” ao seu concelho.
“Este projeto vem também provar que os autarcas conseguem unir-se em torno de algo que é importante para o país. Além da política temos que defender os interesses dos nossos concelhos, é isso que estamos a fazer”, frisou o autarca alentejano.
Luís Machado adiantou ainda que, através da criação da Associação de Municípios, os autarcas comprometem-se junto da empresa Infraestruturas de Portugal (IP) a, no seu respetivo território, recuperar os troços que precisem de alguma requalificação. “Há também uma particularidade muito grande, que é o património da sinalização. A EN2 tem 738.5 quilómetros e está marcada de cem em cem metros. Trata-se de um património único que ,em parceria com a IP, vamos recuperar e tornar a Nacional 2 a estrada mais bela de Portugal”, defendeu o autarca duriense.



