Os médicos que pretenderem instalar-se em Montalegre têm disponível um pacote de medidas, que se traduzem no pagamento de mil euros por mês, a que acresce um apoio extraordinário de 500 euros, caso façam urgências. O município atribui ainda um apoio à habitação, pagamento de despesas, como água e luz, e entrada gratuita em equipamentos municipais.
Esta foi a maneira encontrada pela autarquia para responder à falta de médicos no concelho, que se verifica atualmente e que deverá agravar-se nos próximos anos. “Era uma necessidade que tínhamos de atender, visto que alguns médicos no centro de saúde aproximam-se da data da reforma, nos próximos dois anos”, justifica a presidente da Câmara Municipal de Montalegre, Fátima Fernandes, que está confiante que a medida vai ter resultados positivos.
À saída de clínicos que se prevê, junta-se a dificuldade em atrair quem os substitua, sendo estes incentivos uma forma de contrariar a tendência.
Para a autarquia era “prudente acautelar o futuro”, “numa perspetiva de planeamento a curto, mas, principalmente, a médio e longo prazo, tentando”salvaguardar os cuidados de saúde primários aos cidadãos do concelho.
O último concurso para contratação de médicos para a unidade de saúde não ficou preenchido, das duas vagas apenas houve candidata para uma.
NOVOS MÉDICOS
As medidas entraram em vigor no final de janeiro e já abrangeram a nova médica que quis dar uma oportunidade a Montalegre, mudando-se do litoral.
Carla Rodrigues acabou a especialidade em Medicina Geral e Familiar o ano passado. Natural de Braga, candidatou-se ao concurso para uma das duas vagas no Centro de Saúde local, tendo sido colocada em setembro, conhecendo já os incentivos que o município ia atribuir.
“Tenho cá as minhas origens, os meus pais são do concelho, e foi um dos motivos que me trouxe. Claro que já sabia dos incentivos associados à vinda para o interior, que são uma mais-valia, e também por isso optei por vir”, explica. Apesar de ter sido convidada para ficar em Vila Verde, onde fez a formação, pesou os prós os contras e optou pela mudança. “Os incentivos disponibilizados pela câmara compensam, no final do mês. E pesaram um bocadinho aqui na minha decisão”, reconhece.
O facto de o Centro de Saúde estar em processo de transição para uma Unidade de Saúde Familiar (USF), que, “a nível de organização, é muito mais apelativa” e de ter mais qualidade de vida também convenceram a jovem médica.
“Não é comparável a Braga, trabalhava a 20 minutos em Vila Verde e enfrentava muito trânsito, stress diário e aqui não. Estou muito próxima, permite-me ir almoçar a casa, sem trânsito, sem confusão, a nível de qualidade de vida é uma mais-valia”, refere.
A nível de carga de trabalho, não tem mais utentes do que na antiga USF, mas considera que “é mais exigente porque é uma população envelhecida e tenho doentes com muitas morbilidades”.
Os apoios apenas são atribuídos a quem fique a trabalhar por três anos no centro de saúde, mas Carla Rodrigues diz que depois de tomada a decisão espera ficar por muito tempo. “O meu objetivo é fixar-me mesmo cá”, garante.
O Centro de Saúde de Montalegre tem oito médicos, quatro dos quais já ultrapassaram a idade de reforma e estão perto dos 70 anos, idade a partir da qual não podem continuar a exercer no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
No concurso de setembro, das duas vagas abertas apenas uma ficou preenchida, tal como aconteceu no concurso seguinte no final do ano passado. No entanto, Carla Rodrigues acredita que as medidas para atrair médicos vão surtir efeito. “Acredito que no futuro próximo haverá mais colegas a vir para cá”, afirma.





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