Terça-feira, 21 de Abril de 2026
Podcast "A falar é que a gente se entende"“As pessoas confiam mais nos órgãos de comunicação regionais”

“As pessoas confiam mais nos órgãos de comunicação regionais”

No segundo episódio do podcast “A falar é que a gente se entende”, Manuel Cordeiro, presidente da Câmara de São João da Pesqueira, assumiu não “ter muito tempo para ler”, mas faz questão de ver, “todos os dias, pelo menos, as capas dos jornais, tanto nacionais como regionais”.

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“Gosto, sobretudo, de ler notícias no papel, não sou muito amante do digital”, frisou.
Confrontado com um estudo de 2022 (“Deserto de Notícias”), segundo o qual o interior do país tem cada vez menos órgãos de comunicação social, o autarca mostrou-se preocupado, embora seja “algo sintomático. Não são só os meios de comunicação social que estão a desaparecer na região. São os serviços, as pessoas (…). Não sei quais são as causas, mas, evidentemente, que uma delas pode ser a falta de financiamento”.

“Eu faço questão de interagir com a comunicação social local pelo serviço que presta e pela proximidade que tem com os problemas da região”, vinca, admitindo que “um dos veículos que as câmaras municipais têm para chegar à população é, obviamente, a comunicação social local, não é a nacional. Muitas pessoas acabam por ter conhecimento das coisas através dos meios de comunicação regionais, até porque dão conta dos reais problemas das populações e do que por aqui se vai passando. Há eventos e iniciativas, por exemplo, que aos meios nacionais não interessam”.

Mas confessa que “nem sempre temos a melhor ideia da comunicação social, sobretudo da nacional”, isto porque “é difícil fazer uma notícia imparcial e sem emitir opiniões. Hoje não temos nada disso e fico admirado com o facto de existir uma entidade reguladora que não faça nada”.

“Faço questão de interagir com a comunicação social local pelo serviço que presta e pela proximidade que tem com os problemas da região”

No caso das eleições, “acho que existe muita parcialidade escondida, isso preocupa-me e indigna-me”, frisa, lamentando “o excesso de comentário político em altura de eleições, por parte de jornalistas, que emitem uma opinião tendenciosa”.

Voltando à relação dos meios de comunicação social com as autarquias, há muitas que lidam mal com notícias menos boas e tentam, de alguma forma, exercer censura, algo que vai contra o Código Deontológico do Jornalista. Sobre este assunto, Manuel Cordeiro garante que, “no meu caso, respondo a tudo, até porque é uma forma de dar a minha versão das coisas”.

“A comunicação social é, acima de tudo, um grito de revolta e serve para alertar as pessoas sobre o que vai menos bem”, vinca.

Sobre o futuro da comunicação social, “espero que a nível local se mantenha, que possa crescer e que, obviamente, os municípios possam contribuir para isso também. Aliás, julgo que serão até os principais a poder contribuir para que a comunicação social local se mantenha com vigor”.

CONCELHO DA PESQUEIRA

São João da Pesqueira detém o Foral mais antigo de que há memória, anterior à criação da nacionalidade portuguesa, atribuído pelo rei Fernando I de Leão (conhecido como Magno), nas datas de 1055 e 1065. Situado nas margens do rio Douro, o concelho deve o seu nome a uma albufeira natural onde abundavam várias espécies de peixes, fazendo com que os pescadores lhe chamassem “pesqueira”.

O concelho ocupa uma área de 266,1 quilómetros quadrados e, de acordo com os censos de 2021, tem cerca de 6.800 habitantes, distribuídos por 14 freguesias: Castanheira do Sul, Ervedosa do Douro, Espinhosa, Nagoselo do Douro, Paredes da Beira, Pereiros, Riodades, São João da Pesqueira, Soutelo do Douro, Trevões, Vale da Figueira, Valongo dos Azeites, Várzea de Trevões e Vilarouco.

De referir que neste concelho predominam as atividades ligadas ao setor primário, onde a agricultura (amêndoa e azeite), a vitivinicultura (vinho do Porto) e a pecuária assumem grande importância.

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