Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
NacionalAssembleia da República discute hoje propinas no ensino superior

Assembleia da República discute hoje propinas no ensino superior

Os deputados discutem hoje várias propostas sobre propinas no ensino superior, havendo partidos que defendem a sua abolição ou o pagamento apenas depois de terminado o curso, quando os estudantes já estiverem a trabalhar.

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A participação dos alunos no financiamento do ensino superior volta a ser tema de debate na Assembleia da República que hoje discute cinco projetos de lei e dois projetos de resolução.

Bloco de Esquerda, PCP, PS e Livre apresentaram projetos de lei que defendem o fim das propinas, enquanto o Chega propõe um regime que permitiria aos alunos adiar o pagamento das propinas para quando já estivessem a trabalhar.

Além de abolir as propinas nas licenciaturas, nos cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP) e nos mestrados integrados, o projeto de lei do BE defende a definição de limites nos mestrados e doutoramentos, “rejeitando por completo o caminho do endividamento estudantil”.

O valor máximo das propinas anuais dos mestrados e doutoramentos “nunca poderá ser superior a um salário mínimo nacional”, define o projeto de lei do BE, que gostaria que as mudanças começassem já em setembro de 2026.

Se a proposta do Bloco fosse aprovada, todas as antigas dívidas de propinas caducariam, segundo o diploma, no qual o BE acusa o Governo PSD-CDS de se preparar para aumentar as propinas e “criar um sistema de endividamento estudantil”.

Também o PCP apresenta um projeto de lei defendendo a eliminação das propinas. A diferença é que os comunistas dão dois anos ao Governo para acabar com as propinas das licenciaturas, mestrados integrados, mestrados, doutoramentos, pós-graduação e CTeSP.

Além disso, propõem que o valor a pagar no caso dos mestrados e doutoramentos passe para metade já este ano.

O PCP também acusa o governo de ver o “direito à educação e ao acesso aos mais elevados graus de ensino como um privilégio só de alguns, daqueles que o conseguem pagar”.

O projeto de lei do Livre defende o fim progressivo das propinas de licenciatura e a fixação de limites máximos dos mestrados e doutoramentos, “favorecendo o acesso e, consequentemente, potenciando uma sociedade mais qualificada, capacitada e democrática”.

O regime transitório desenhado pelo Livre prevê que as taxas das licenciaturas e dos CTeSP sejam reduzidas anualmente em um terço do valor estabelecido para o atual ano letivo já a partir de setembro de 2026 “até à sua eliminação total no ano letivo 2028/2029”.

O Chega considera “justa a partilha da responsabilidade financeira” entre o Estado e os estudantes e por isso defende “um sistema alternativo” que permita aos alunos de licenciaturas e mestrados integrados não pagar nada durante o curso, mas mais tarde “quando já estiverem no mercado de trabalho de forma estável”.

“Este modelo não é inédito. O Chega inspirou-se no modelo inglês, mas sem o recurso a empréstimos estudantis”, lê-se na proposta de projeto de lei, que explica não se tratar de um empréstimo, nem serem aplicados juros ou penalizações.

O pagamento só é exigido quando o diplomado tem um rendimento mensal ilíquido “superior à remuneração média mensal dos trabalhadores até aos 35 anos”.

Além destes cinco projetos de lei, PAN e PS apresentam dois projetos de resolução que recomendam ao Governo a progressiva redução do valor das propinas.

O PS recomenda ainda ao Governo que faça um levantamento dos preços praticados nos mestrados, para que se possa definir um teto máximo, que deveria entrar em vigor em setembro de 2027.

O Governo PSD-CDS já tinha anunciado o descongelamento das propinas a partir de setembro de 2026, com um aumento dos atuais 697 euros para 710 euros, mas a medida não passou no parlamento.


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