Simão Pedro Cruz
Simão Pedro Cruz
Psiquiatra Hospital da Luz Vila Real

Benzodiazepinas e ansiedade

A ansiedade é uma emoção fundamental, adaptativa e que nos permite lidar com desafios e situações de perigo.

Só é considerada patológica quando é desproporcional, persistente e interfere de forma significativa na esfera pessoal e/ou laboral do indivíduo.

Do ponto de vista clínico, a ansiedade manifesta-se por preocupação excessiva, dificuldades de concentração, ruminação e apreensão. No entanto, pode também explicar múltiplas queixas físicas, tais como: aumento de tensão muscular, cefaleias, fadiga, palpitações, dispneia, alterações gastrointestinais, tremores ou parestesias. Por vezes, estes últimos sintomas conduzem a múltiplas observações médicas antes de se reconhecer a sua origem, atrasando o diagnóstico e tratamento adequados.

No que diz respeito à abordagem terapêutica, é determinante esclarecer o papel limitado das benzodiazepinas, conhecidas como “calmantes”. Embora eficazes na redução rápida dos sintomas, funcionam essencialmente como uma “muleta”. Tal como o paracetamol pode aliviar a febre ou a dor numa infeção sem tratar a sua causa, também as benzodiazepinas atenuam a ansiedade sem atuar sobre os seus mecanismos subjacentes. Além disso, o seu uso prolongado pode estar associado a risco de dependência e desenvolvimento de défices cognitivos. Assim, o tratamento de primeira linha inclui os antidepressivos, particularmente os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, que, à semelhança de um antibiótico numa infeção, atuam nos mecanismos de base da doença.

Reconhecer quando a ansiedade ultrapassa a normalidade é essencial para prevenir a sua cronificação e o impacto na qualidade de vida. Uma abordagem integrada, que combine intervenção farmacológica adequada e psicoterapia, continua a ser a base para o melhor tratamento desta condição.

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