“O modelo e o funcionamento dos lares devem ser profundamente repensados, tanto no que se refere ao equilíbrio do seu financiamento e gestão, como no respeitante à diferenciação dos serviços aí prestados e à articulação com as famílias”, refere o texto enviado à Agência Ecclesia. “A questão dos idosos e a ideia de que são descartáveis é um escândalo que se revelou em toda a sua brutalidade. Devemos isolar de nós o vírus e não o idoso, tornando-o desumanamente solitário”, acrescentam os responsáveis católicos.
O documento evoca as experiências dos últimos meses, em que muitas pessoas acabaram por “morrer na solidão”. “Quantos, nos hospitais, nos lares e nas famílias viviam e morriam já na solidão?”, questiona a CEP. Os bispos começam por dirigir-se a quantos foram diretamente atingidos pela pandemia e sofrem “nas suas casas e famílias, nos lares e nos hospitais, na Igreja e suas instituições”, os que choram a morte de entes queridos e os que “perderam ou viram substancialmente reduzidos os seus rendimentos necessários a uma vida condigna”. “Com a pandemia arriscamo-nos a deixar para trás faixas da população que já eram frágeis e que viram agravar a sua situação”, advertem.
A CEP sustenta que a crise da Covid-19 está ligada a “tantas outras”, a começar pela crise ambiental.
O texto alerta, portanto, para “a fome que duplicou no mundo desde o início da pandemia, o gritante abismo entre os multimilionários cada vez mais ricos e a grande franja da humanidade cada vez mais pobre, a xenofobia, o racismo, as guerras fratricidas, a ameaça da crise climática”. “Este tempo faz-nos olhar com preocupação para o fosso escandaloso entre os ricos e os pobres, entre os privilegiados e os não-privilegiados”, acrescentam.
A reflexão “Desafios pastorais da pandemia à Igreja em Portugal”, foi aprovada a 13 de novembro de 2020 na Assembleia Plenária da CEP, que decorreu em regime misto, online e presencial, a partir de Fátima. Esta reflexão propõe uma “reviravolta cultural”, após o impacto da pandemia, para voltar a ter “relações fraternas e generosas”, que promovam “a inclusão e a solidariedade”.



