O Boccia, enquanto modalidade desportiva, foi criado com o intuito de ser praticado por pessoas com paralisia cerebral. A sua popularidade foi crescendo e, atualmente, são várias as pessoas a praticá-lo, independentemente da sua condição.
No caso da população mais velha, o Boccia contribui para a melhoria da qualidade de vida.
É um jogo de estratégia que estimula o raciocínio, a concentração e a memória, ao mesmo tempo que desenvolve a agilidade física e motora dos participantes. Além das mais-valias que a modalidade tem a nível físico e psicológico, o Boccia ajuda, também, a combater o isolamento social, por promover o convívio e a socialização.
Que o digam os utentes da Associação Cultural e Social de Santa Eugénia, no concelho de Alijó, que, atualmente, tem apenas disponível o serviço de Apoio Domiciliário.
Recentemente, ficaram em 1º lugar no 14º Torneio Interinstitucional de Boccia da Rede Social, onde participaram sete equipas, de diversas IPSS do concelho.

“São seis bolas, três vermelhas e três azuis. Depois há uma branca, que é lançada em primeiro lugar. Cada equipa atira as bolas e quanto mais próximas ficarem da branca, melhor”, explica António João Martinho, de 79 anos, acrescentando que “dependendo da distância a que ficam as bolas da bola branca são atribuídos pontos”.
E engane-se quem pensa que é só atirar a bola. “É preciso estratégia e termos noção do que estamos a fazer”, confessa, referindo que “às vezes temos uma bola próxima da branca e os da outra equipa podem acertar na nossa bola e estragar tudo. Temos que proteger esse ponto”.
Como qualquer desporto, também aqui são necessários treinos, ainda que “seja difícil, porque temos as nossas vidas”, mas apesar de o tempo “não ser muito, fazemos por nos juntar, sobretudo quando se aproxima o torneio”, frisa António João Martinho, que é, também, o capitão da equipa.
“É preciso ter mão certeira e alguma sorte”, afirma.
Ao seu lado, Laura Magalhães, de 77 anos, é outro dos membros da equipa “Para mim, perder ou ganhar é igual”, mas confessa que “a gente prefere ganhar”. Sobre o Boccia, diz que “ajuda a passar o tempo” e destaca “o convívio” com as outras instituições”.
António Cabeço, um novato nestas andanças, tendo em conta que só este ano se juntou à equipa, fala de um jogo “divertido”, destacando, também, “o convívio e as amizades”. A esposa, Maria Cabeço, acompanha-o e não esconde que “é um tempo que se passa bem, entre amigos”.
ORIGEM DO BOCCIA
Paula Martins, diretora técnica da Associação Cultural e Social de Santa Eugénia, admite que “não conhecia este jogo”, explicando que “fui pesquisar e percebi que é uma modalidade que nasceu na Grécia antiga, inspirada no bowling e na petanca”.

Por cá, há quem compare o Boccia ao jogo da malha. “Inicialmente, o Boccia foi concebido para ser praticado por pessoas com paralisia cerebral, mas foi ganhando popularidade e, atualmente, há muitas instituições onde se joga, é o chamado Boccia Sénior”, conta.
Apesar de só ser diretora da instituição desde fevereiro, Paula Martins não esconde que o Boccia é “importante”, porque os põe a fazer desporto. “É uma coisa que os põe a mexer, até os que andam de muletas. Empenham-se muito para jogar”.
A Associação Cultural e Social de Santa Eugénia, em Alijó, é apenas um dos exemplos das muitas que, um pouco por todo o país, aproveitam o Boccia para colocar os idosos a fazer exercício físico.




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