A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR Norte) e a Comunidade Intermunicipal (CIM) de Terras de Trás-os-Montes reuniram-se em Bragança a 21 de novembro de 2025 para avaliar os investimentos territoriais em curso e debater a estratégia para o período de programação pós-2027.
Esta reunião integra a iniciativa “Ouvir o Território, Construir o Futuro”, que promove encontros semestrais de trabalho entre a CCDR Norte e as oito Entidades Intermunicipais da Região Norte, com o objetivo de aprofundar a concertação territorial e a proximidade institucional com os autarcas.
O Presidente da CCDR Norte, António Cunha, salientou a importância da metodologia de escuta ativa e da cooperação estratégica, afirmando que “é em territórios como este que é evidente a importância da articulação das Políticas de Coesão e das Políticas Agrícolas”. Referiu ainda que “a articulação entre as estratégias e os investimentos do Portugal 2030 e do PEPAC 2030, neste território, resultará num impacto muito mais positivo e relevante para as populações que são os beneficiários finais destes investimentos”. António Cunha destacou ainda que “reforçar a articulação entre essas duas Políticas constitui também um desafio essencial para o próximo ciclo de programação pós 2027, em particular em territórios como Terras de Trás-os-Montes”.
O Presidente da CIM Terras de Trás-os-Montes, Pedro Lima, expressou satisfação com a realização da sessão descentralizada e com os resultados apresentados, que respondem às várias realidades do território. Sobre o progresso, concluiu que “2025 foi bem conseguido, devido a uma boa articulação entre todos, mas 2026 apresenta alguns desafios relativamente ao cumprimento de metas para municípios mais pequenos com maior dificuldade de execução”.
Quanto ao balanço dos investimentos apoiados no território de Terras de Trás-os-Montes, foi referido que, no âmbito do Portugal 2030, estão aprovadas 260 operações, que representem um investimento elegível de 208 milhões de euros e um financiamento aprovado de 129 milhões de euros. Estes investimentos incidem sobretudo nas áreas de competitividade das PME, adaptação às alterações climáticas, acesso a serviços de qualidade, desenvolvimento integrado em zonas urbanas, e acesso à educação e formação.
Dentre os projetos de maior dimensão no âmbito do Portugal 2030, destacam-se o Museu da Língua Portuguesa, promovido pelo Município de Bragança, com custo elegível de 18,3 milhões de euros e financiamento aprovado de 5 milhões; o Centro para a Inovação e Qualificação em Saúde Sustentável do Instituto Politécnico de Bragança, com 14,1 milhões de euros de investimento e 3 milhões de financiamento; e várias operações no sector das PME, incluindo a ENTOFÉ, em Alfândega da Fé, com um investimento de 12 milhões e financiamento de 4,8 milhões; a Terra Fria – Empreendimentos Turísticos, em Bragança, para construção do Água Hotels Terra Fria 4*, com investimento de 9,9 milhões e financiamento de 3,9 milhões; e a MIRABAGA, em Mirandela, com o projeto InovMirabaga, que apresenta um investimento de 5,3 milhões e financiamento de 2,1 milhões de euros.
No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a sub-região conta com 4.821 projetos aprovados, totalizando 195 milhões de euros de investimento, com maior expressão em infraestruturas, qualificações e competências, habitação, investimento e inovação.
Relativamente ao Programa de Desenvolvimento Rural (PEPAC 2030), foram mobilizados 114 milhões de euros para o setor agrícola e desenvolvimento rural em Terras de Trás-os-Montes.
O Presidente da CCDR Norte destacou que “a principal prioridade no atual ciclo de programação é reforçar significativamente os atuais níveis de execução, uma vez que as metas do NORTE2030 e do PRR são particularmente exigentes em 2026”.
A iniciativa “Ouvir o Território, Construir o Futuro” prossegue com sessões em outras sub-regiões da Região Norte, incluindo CIM Douro, Tâmega e Sousa, Alto Tâmega e Barroso, Alto Minho, CIM Ave e Área Metropolitana do Porto. O objetivo é reforçar o diálogo com os autarcas, acompanhar a execução dos investimentos, identificar prioridades estratégicas e preparar, de forma participada, o período pós-2027, garantindo coerência entre planeamento territorial, execução financeira e visão estratégica regional.




