A efeméride evocou um acontecimento que colocou a então jovem diocese transmontana no centro da renovação espiritual e pastoral da Igreja portuguesa.
Segundo João Pedro Atenor Santos, seminarista da Diocese de Vila Real e estudante de mestrado em Teologia, o congresso de 1926 representou “o nascimento oficial, orgânico e eclesial do Movimento Litúrgico na nossa pátria”. Até então, explicou, as correntes de renovação espiritual que chegavam da Europa eram acolhidas de forma dispersa. O encontro realizado em Vila Real permitiu congregar essas iniciativas e demonstrar que existia “uma profunda sede de liturgia” entre os fiéis portugueses.
A escolha de Vila Real ficou ligada à visão do primeiro bispo da diocese, D. João Evangelista de Lima Vidal. Criada apenas em 1922, a Diocese procurava afirmar-se pastoralmente e responder às necessidades de um território marcado pelo isolamento geográfico. “Vila Real foi escolhida porque o seu Pastor recusou a estagnação e o imobilismo”, sublinhou João Pedro Atenor Santos, recordando que o prelado defendia que “parar é morrer”.
Para a Diocese, o congresso constituiu uma verdadeira afirmação identitária. “O Congresso Litúrgico foi o acontecimento que operou a transição de uma mera circunscrição jurídica para uma autêntica comunhão eclesial viva”, destacou. Através da valorização da liturgia, a jovem diocese encontrou uma linha orientadora para a sua ação pastoral e conquistou projeção nacional.
As comemorações do centenário procuraram não apenas recordar o passado, mas também refletir sobre os desafios atuais da Igreja. O programa incluiu abordagens históricas, teológicas, canónicas e pastorais, articuladas com momentos celebrativos. O objetivo, segundo o seminarista, passa por combater o “analfabetismo litúrgico” e ajudar os fiéis a compreender que “a Liturgia não é uma estéril rotina de fórmulas mecânicas; é um encontro vivo”.
Entre os legados mais duradouros do congresso de 1926 está a criação da revista Opus Dei, a primeira publicação litúrgica permanente do país. Contudo, João Pedro Atenor Santos considera que o maior legado foi outro. “Demonstrar que a Liturgia não é uma moldura decorativa ou uma mecânica inanimada, mas sim o coração pulsante da Igreja”.
Cem anos depois, a mensagem continua atual. Numa sociedade marcada pela pressa e pela secularização, o seminarista, considera que a renovação da Igreja passa por recuperar a centralidade da liturgia. “A Igreja só se renova quando regressa à sua Fonte perene”, afirmou à VTM.
O padre Hélder Libório, responsável pelo Secretariado de Liturgia de Vila Real, esclarece que “vai crescendo sempre com este amor à liturgia” e que esta iniciativa “não é uma evocação, é o continuar um trabalho de identidade diocesana”.
Para João Pedro Atenor Santos, a principal mensagem das comemorações pode resumir-se numa ideia simples: “A renovação autêntica da Igreja e o dinamismo da sua ação no mundo dependem, indissociavelmente, do regresso ao Altar e da centralidade da Sagrada Liturgia”.
Na Sé Catedral, o Núncio Apostólico em Portugal, arcebispo D. Andrés Carrascosa Coso, presidiu à Eucaristia de Ação de Graças pelo centenário do I Congresso Litúrgico Português.





