Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026
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Em Foco“É urgente criar condições para que viver no interior seja uma escolha com futuro”

“É urgente criar condições para que viver no interior seja uma escolha com futuro”

Entrevista ao cabeça de lista do BE | Vítor Pimenta | Médico | 42 anos

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Quais são as duas grandes prioridades que defendem para o distrito?

Produzimos 46% da energia hidroelétrica nacional, porém, somos a região com o maior índice de pobreza energética. É imperativo regular o mercado – a nossa população deve ter energia mais barata, através da redução do IVA da eletricidade, da partilha de lucros e do pagamento do IMI e das rendas das barragens do Douro, Sabor e Tua por parte das energéticas. Temos de melhorar o acesso à saúde no distrito e isso implica fortalecer as infraestruturas, promover a prevenção, valorizar o trabalho e atrair profissionais para a região. Para chegar a uma população carenciada, envelhecida e dispersa, propomos modelos de descentralização, com reforço de equipas comunitárias, incentivo à telemedicina e aposta no transporte acessível, envolvendo as autarquias numa lógica de complementaridade. Defendemos a reabertura do serviço de urgência cirúrgica do Hospital de Mirandela. É necessário apostar na saúde mental, combater o isolamento e a solidão.

A perda de população continua a ser um grave problema do interior do país. O que se pode fazer para combater este flagelo?

É urgente criar condições para que viver no interior seja uma escolha com futuro. Isso passa por garantir serviços públicos de qualidade em todas as freguesias, acesso à habitação a preços justos, redes de transportes funcionais, ligação digital de qualidade e emprego com direitos. Também é fundamental atrair e fixar jovens e migrantes através do acesso à habitação, integração cultural, ensino da língua e oportunidades profissionais dignas.

Como atrair investimento para a região?

É necessário um modelo de desenvolvimento que respeite o território e valorize os seus recursos. O Bloco propõe a reabilitação do complexo do Cachão, o apoio à agricultura sustentável, a valorização da cultura e dos recursos naturais locais e uma gestão energética justa, com o pagamento que nos é devido dos impostos e venda das barragens e energia mais barata para quem vive na região. A criação de emprego deve estar ancorada num tecido económico diversificado e ligado à transição climática, digital e social. As pessoas só vêm para a região se tiverem bons serviços públicos e o Bloco tem como uma das principais bandeiras a defesa dos nossos serviços públicos. Por fim, a defesa da língua mirandesa. Achamos importante que a verba que apresentámos no OE e aprovada dê seguimento e assim promover a língua mirandesa.

Nos últimos tempos tem-se visto que a linha aérea tem uma grande importância para a região. Como impedir que esteja tantas vezes suspensa?

A ligação aérea tem valor estratégico para a ligação do distrito aos centros urbanos do país. No entanto, a sua instabilidade mostra a necessidade de um serviço público com garantia de continuidade. O Bloco defende que este tipo de ligação não pode estar dependente de interesses privados e deve ser enquadrado numa política nacional de mobilidade coesa, com contratos públicos que assegurem regularidade, preço justo e sustentabilidade ambiental.

Tem-se falado que Bragança será ponto de passagem da linha de alta velocidade entre Porto e Madrid. Acredita na sua concretização? Que vantagens terá para o distrito?

O Bloco vê com cautela promessas que tardam há décadas. Para nós, é fundamental que o plano de mobilidade do Tua seja uma realidade, é uma dívida do estado central à nossa região. No entanto, consideramos que a concretização desta linha pode representar uma oportunidade real para Bragança, desde que sirva as populações locais e não apenas interesses de circulação internacional.

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