O vírus atacou todos os países do Mundo. Atacou homens, mulheres e crianças, independentemente da classe social a que pertencem. O ataque foi tão forte e tão rápido que nos apanhou a todos desprevenidos. Mal tivemos tempo de reagir. De repente as escolas fecharam, os restaurantes deixaram de servir refeições, os hotéis não tinham clientes, o pequeno comércio deixou de funcionar e foi decretada a proibição de nos deslocarmos.
Tudo isto teve consequências muito graves. Os netos e os avós deixaram de conviver, as famílias deixaram de se reunir, aqueles que tiveram óbitos na família não puderem despedir-se dos entes queridos nem acompanhá-los até ao cemitério, as crianças nas nossas escolas foram proibidas de brincar umas com as outras e foram privadas dos carinhos entre si e das suas educadoras. Só daqui a alguns anos saberemos quanto mal o vírus nos fez.
Na minha opinião houve erros que se cometeram que não se compreendem. É muito triste que haja pessoas e famílias que viram morrer familiares por que não tiveram acesso a cuidados de saúde, em muitos casos, porque viram operações cirúrgicas e consultas médicas desmarcadas e/ou adiadas. Essas pessoas e essas famílias carregarão para o resto da sua vida a mágoa de terem perdido os seus familiares. E carregarão também a tristeza de o Estado português lhes falhar no momento em que os seus familiares mais precisaram. O aparecimento deste vírus tornou-se na única preocupação dos nossos governantes. Não viam mais nada. Deixaram morrer tantas e tantos portugueses porque se concentraram apenas em fazer frente ao vírus. As nossas televisões vivem a existência deste vírus como o nosso Governo. Parece que não há mais nada digno de ser noticiado. O exagero que tem sido teve o seu apogeu desde que começaram a vir as vacinas. Tem sido um espetáculo que muita gente considera lastimável. Oxalá que não aconteça com estas vacinas o que aconteceu com as da gripe.
Até aqui descrevi a realidade. Neste momento o importante é definir estratégias para enfrentar o ano de 2021.
Para isso é necessário que nos unamos todos e reajamos para voltar à nossa vida normal. Vamos continuar a cumprir o que nos é pedido. Façamo-lo com a esperança de um futuro melhor. Tenhamos fé de que tudo vai passar e de que as crianças voltarão a ser crianças, os avós voltarão a ser avós, os netos voltarão a ser netos, os irmãos voltarão a ser irmãos, os pais voltarão a ser pais, os educadores voltarão a ser educadores e os filhos voltarão a ser filhos.
Deixo o desejo de que 2021 seja mais próximo daquilo que espera cada um dos que me lerem.




