Débora Rebelo, professora de dança responsável pela escola, anunciou, no dia em que o primeiro aniversário foi comemorado com um espectáculo, a intenção de trazer rapazes para as aulas de ballet e dança contemporânea.
“Vou lançar uma campanha de entrada e frequência gratuita, para ver se quebro o tabu de que a dança é só para as meninas”, sublinhou a professora, de 27 anos, que deixou para trás Lisboa para apostar no Douro.
A dançarina profissional respondeu inicialmente um anúncio para emprego para a escola de bailado do Peso da Régua, concorreu, ficou com o emprego e mudou-se para o Douro, onde já tinha raízes familiares, “tanto do lado materno como paterno”.
Deixando para trás o desejo de ser bailarina profissional por causa de uma lesão, que entretanto já foi ultrapassada, Débora Rebelo acabou por não se identificar “com a filosofia” da escola reguense e, com o apoio da Câmara Municipal, decidiu começar a “dançar” em Santa Marta. “As coisas surgiram naturalmente, passo a passo”, recordou a professora que agora é responsável pela escola, ensinado ballet e dança contemporânea a meninas dos três aos 23 anos.
Apesar de reconhecer que apostar no interior, principalmente numa localidade pequena, tem muitos benefícios, a professora é testemunha de que há muitos desafios a vencer, um deles prende-se com a “mentalidade” das pessoas, que “ainda é muito fechada”.
“O meu objetivo é quebrar barreiras” e mostrar que a dança “é para toda a gente e para todas as idades”, explicou Débora Rebelo revelando que além da aposta na captação de mais rapazes, em breve gostaria de avançar com as aulas de dança para adultos.
“As pessoas pensam que o ballet é só para crianças e para jovens, acham que não é possível para adultos, que é uma ideia absurda, disparatada, mas não é verdade”, reforçou a dançarina, recordando que a “dança não tem idade”.
Cassandra Cunha, de 19 anos, é uma das alunas da professora Débora Rebelo, e, mesmo depois de entrar no ensino superior na Guarda, garante que não vai desistir da dança. “Dançar é uma terapia para mim. A dançar sinto-me eu”, testemunhou a jovem que, apesar de estar a estudar para ser farmacêutica, garante que o sonho de ser bailarina mantém-se vivo e está confiante que “é possível fazer as duas coisas”.
Apaixonada pelas artes do espetáculo, como a música e o teatro, a criação da escola tornou possível a aposta na dança. “Se a escola fosse noutro concelho eu não poderia frequentar as aulas”, explicou à VTM .




