Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Manuel R. Cordeiro
Professor Aposentado da UTAD. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Faltou a igualdade de atendimento

No início do ano de 2020 ninguém previa que Portugal e o Mundo iriam passar por problemas na área da saúde como as que provocou a Covid-19. As considerações que vou fazer são baseadas em factos, em estatística e na minha observação do que se passou à minha volta.

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É de elementar justiça dizer que o Serviço Nacional de Saúde respondeu de maneira exemplar ao aparecimento de mais este vírus. Os nossos trabalhadores da área da saúde foram inexcedíveis nos esforços que fizeram para que não houvesse mais mortes do que as que houve. Sacrificaram a sua vida pessoal e a sua família. Muitos deles deixaram para trás os entes mais queridos. Foi muito duro para eles e respetivas famílias. 

Sem qualquer dúvida, merecem todos os agradecimentos dos portugueses, nos quais me incluo.

No jornal Público do dia 4 de agosto pode ler-se que “Julho foi o mês com mais mortes em Portugal, em 12 anos, e só 1,59% são atribuídas à Covid-19. 

Como causa de tantas mortes podemos falar no excessivo calor, mas há vários especialistas da saúde que atribuem este número, às pessoas que não conseguiram aceder ao SNS durante o confinamento”. 

Eu concordo com as duas causas, mas a segunda foi por demais evidente. Todos nós temos amigos que tinham operações cirúrgicas programadas, que não foram feitas, que tinham consultas marcadas que foram desmarcadas ou adiadas por vários meses, que quiseram marcar novas consultas e não conseguiram porque os centros de saúde não respondiam às suas solicitações. 

Reflitamos como reagirão duas famílias em que uma delas foi afetada pela Covid-19 e a outra tinha um familiar com cancro. É de elementar justiça que ambas tivessem a mesma atenção e atendimento por parte do SNS. Alguém considera que houve essa igualdade de atendimento? As estatísticas e uma leitura atenta dos órgãos de comunicação social de qualquer tipo mostram claramente que não. Assim sendo concluímos que as famílias Portuguesas não tiveram todas o mesmo tratamento.  

No século XXI e num país democrático como é Portugal, isso devia envergonhar-nos.

O que se passou nos Lares de idosos obriga os nossos governantes a refletirem sobre as causas de tantas mortes de gente que é muito vulnerável. É necessário dar mais apoio a essas instituições e depois exigir-lhes que criem condições para que não volte a acontecer o que aconteceu com o aparecimento da Covid-19. Os idosos contribuíram com o seu trabalho para o desenvolvimento do nosso país. Assim sendo têm o direito de serem bem tratados.

Se aos doentes com outros tipos de patologias se tem dado a mesma atenção que foi dada a quem foi infetado pela Covid-19, hoje estaríamos – todos os portugueses – muito mais orgulhosos do nosso Serviço Nacional de Saúde.

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