Sexta-feira, 30 de Setembro de 2022

Fé, cultura e tradição de mãos dadas

Festa de Nossa Senhora da Pena realiza-se no segundo domingo de setembro

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Depois de dois anos de pausa, a romaria da Senhora da Pena está de regresso. Será, como sempre, no segundo domingo de setembro que o santuário se irá encher de gente para ver aqueles a que chamam os maiores andores do mundo, ainda que “em tempos, eram ligeiramente mais pequenos”, conta Hélder Afonso, presidente da União de Freguesias (UF) de Mouçós e Lamares.

A romaria faz parte do ADN das gentes da freguesia. Prova disso é que a organização é feita, de forma rotativa, por 11 das 24 aldeias. “Este ano é a Abobeleira que vai organizar e no próximo será Jorjais. Roda de 11 em 11 anos, ainda que agora, por causa da pandemia, não bata certo”, explica o autarca. Reza a história que “foi a rivalidade entre as aldeias que fez com que os andores fossem crescendo”, acrescenta.

“É um momento arrepiante, não só para quem carrega o andor, mas também para quem assiste”
HILÁRIO DUARTE
Comissão de festas

Hilário Duarte é, este ano, o responsável pela organização da festa, que tem, na procissão de domingo (dia 11), o ponto mais alto. É nesse dia que os olhos se fixam no céu para ver passar o andor da Senhora da Pena, com cerca de 23 metros. E segurança é palavra de ordem.

“Este ano vamos fazer algumas alterações nesse sentido. Vamos ter gradeamento e a GNR a alertar para o perigo que existe na hora de levantar e baixar os andores, mas claro que é preciso que as pessoas que estão a ver colaborem, o que nem sempre acontece”, refere. Só assim, “é possível manter esta procissão”.

A comissão é diferente todos os anos, o que acaba por dificultar o trabalho, tendo em conta que “começamos do zero”. “Já fiz parte da comissão em 1998 e 2009 e é sempre diferente, mas o nosso foco é organizar tudo da melhor forma para que as pessoas queiram voltar no ano seguinte”. Hélder Afonso, que também já fez parte da comissão de festas, confirma isso mesmo. “Aquilo que se aprende hoje daqui a 11 anos está desatualizado”, frisa.

“Se os nossos antepassados nos deram esta cultura e tradição, temos de a respeitar”
HÉLDER AFONSO
Presidente UF Mouçós e Lamares

Por isso, e agora que é presidente da junta, tenta evitar possíveis erros. “As comissões são chamadas, com alguma regularidade, não para interferirmos na organização da festa, mas para acompanharmos o processo, dando algumas sugestões. Envolvemo-nos de forma pedagógica na organização da festa”.

Com três monumentos classificados como imóveis de interesse público, a Capela de Nossa Senhora da Piedade, a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe e a ponte de Piscais, a freguesia quer fazer, também, da Senhora da Pena um dos pontos de referência. “Vamos a Bisalhães e a referência é o barro preto, em Agarez é o linho. Aqui temos que aproveitar a Senhora da Pena. Se os nossos antepassados nos deram esta cultura e tradição, temos de a respeitar”, vinca Hélder Afonso.

FUTURO

Para dar mais segurança e condições a quem visita o santuário, não só por ocasião das festividades, a junta está a elaborar um projeto que deverá ser apresentado brevemente.
“Temos que criar condições para a feira de gado, que se realiza de 15 em 15 dias, para a romaria da Senhora da Pena e temos que preservar o santuário. Além disso, queremos construir um parque infantil e um parque de merendas”, explica, referindo que “é um projeto para ser feito em quatro fases, com o qual queremos dar resposta à feira quinzenal, à festa anual, aos grupos musicais, aos comerciantes, aos turistas, à população local, sem colocar em causa os traços identitários da Senhora da Pena”.

“É um desafio que espero poder concretizar”, conclui.

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