A vida foi madrasta para um homem de 44 anos, de Vila Chã. Depois de 19 anos de “bom viver”, na Bélgica, caiu em desgraça, Actualmente, vive num rés-do-chão, sem condições. A Junta de Freguesia mostra-se disponível para ajudar e já ofereceu materiais para a casa de banho.
“Vivo na pocilga onde o meu pai criou recos!”. Desabafo de um homem, de 44 anos, residente em Vila Chã e que clama por “uma casinha com condições”.
Autêntico “filho de um deus menor”, Hélio Jorge Sobrinho, depois de trabalhar 19 anos como operário da construção civil, na Bélgica, veio para Portugal, apenas com uma “mão atrás e outra à frente”. Problemas familiares a que se seguiu a exclusão social e sinais de alcoolismo, atiraram este homem para uma vida de miséria.
Vive, agora, numa antiga pocilga que foi “adaptada”, para receber uma cama, um bacio e muita roupa amontoada, mas que não tem água, nem casa de banho. O chão é “alcatifado” a terra e os buracos nos tijolos servem para arrumar alguns objectos. “Espero e desespero por uma casa para viver. Tenho família, mas ninguém me liga. Mas gostava de morar como as outras pessoas” – disse- -nos Hélio Jorge, acresentando: “Nunca fiz mal a ninguém, mas as pessoas até fogem de mim, pela casa que tenho!”. Segundo referiu, “Mato a fome graças ao Centro Social” local que lhe fornece as refeições.
O Presidente da Junta de Freguesia de Vila Chã, António Fernandes, garantiu que a instituição “já lhe ofereceu os materiais essenciais, para a casa de banho. Ele ficou de os aplicar, mas ainda não o fez”, sublinhando: “Há um esforço nosso e atento, para suprir este problema, de índole económico e social. Entendo que todos temos responsabilidade, sobre isto”.
“Já viu o dinheiro que tenho? Dez cêntimos. Ao que cheguei!” – lamento de Hélio Jorge que “não gosto que os meus amigos saibam da miséria em que vivo”.
Jmcardoso





