Manuel Bastos tem duas paixões, o futebol e a música. É natural de Vila Real, tem 21 anos e está a tirar um mestrado na área do futebol, em Lisboa.
A música entrou na sua vida desde cedo, em que a tia foi quem mais o impulsionou. “Em casa dos meus avós havia um piano e eu, desde muito pequenino, sempre tive interesse em brincar com o piano. A minha tia contou-me que eu com três anos já sabia uma ópera de Mozart em inglês. Pelo que começou a ser evidente que a música era algo especial para mim”.
Aos 6 anos entrou no Conservatório de Música e nunca mais parou. “Fiz o 5º grau e depois comecei a apresentar as minhas próprias canções e composições. A música era algo até terapêutico para mim, era algo que fazia para me distrair de tudo o resto, em que aproveitava o meu tempo livre para tocar, cantar e criar música”.
Manuel diz que escreve aquilo que sente. “Não diria tanto aquilo que vivo, mas mais aquilo que estou a sentir no momento em que estou a escrever e as coisas me aparecem. A música sempre foi algo bastante natural e eu acabo por escrever aquilo que me sai”, conta à VTM, adiantando que, às vezes, “aquilo que escreve são coisas que fazem parte do meu pensamento constante, outras vezes são situações que me ocorreram naquele momento”.

Ou seja, não há assim nada que me inspire em especial, apenas tudo aquilo que vivo, que me passa pelos olhos, ouvidos e também pelas minhas mãos. É isso que acaba por ter alguma representação na minha música”.
Com um álbum editado em 2021, agora está a lançar um EP com cinco músicas, sendo que a primeira está a ser um sucesso. “A primeira está a correr relativamente bem. Acredito que daqui para a frente irá correr melhor. São cinco músicas em cinco estéticas e cinco estilos completamente diferentes”.
A primeira é um fado, a segunda e as próximas serão de estilos musicais diferentes, mas “acho que vai ser interessante”.
Jorge Palma é a sua maior inspiração. “É mesmo o Jorge Palma, mas também gosto de Benjamin Clementine, aprecio hip-hop e gosto do Dillaz e de Slow J. Gosto um pouco de tudo e o meu estilo musical é variado”.
Além da música, o futebol é também uma paixão e a sua principal ocupação. “Estou a tirar o mestrado e sou treinador da equipa de Iniciados B e dos Traquinas na Academia do Sporting do Olivais Sul. Sou treinador de futebol desde os 15 anos. Comecei nos seniores do Sporting Clube da Cumieira, com o míster Rui Gonçalves”.
Sobre o futuro, Manuel Bastos revela diz que “é difícil” escolher entre o futebol e a música, mas considera que a música “é algo que eu consigo ver o resultado daquilo que estou a fazer no imediato. É algo que eu consigo controlar”. Já no futebol, ainda por cima sendo treinador, não sou eu que jogo e o meu controle sobre as coisas não é tão grande”.
“Claro que gostava de viver só da música ou só do futebol”, no entanto, “a música tem sempre um peso um bocadinho maior”, admite o jovem músico, que pode encontrar num placo perto de si.
CARLOS CARNEIRO
Carlos Carneiro, de 27 anos, canta e toca guitarra. É de Vila Real, mas estuda em Aveiro e a música faz parte da sua vida desde os 10 anos, altura em que começou a tocar guitarra acústica. “Foi o Igor, que me inspirou. Ele morava numa aldeia vizinha da minha. Tive poucas aulas com ele, mas depois fui estudar guitarra acústica e elétrica até aos 18 anos.
Ainda cheguei a ter aulas no Conservatório de Música no curso livre, onde aprendi guitarra clássica”, conta, adiantando que depois entrou no curso de genética e biotecnologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, do qual desistiu para ir estudar música na Universidade de Aveiro.
“Andei no curso um semestre, mas não era aquilo que queria. E pensei em levar a música mais a sério. Tive uma conversa com os meus pais a explicar-lhe o que eu pretendia. Eles ficaram preocupados, mas encorajaram-me. Ainda há aquele estigma de estar no meio artístico, mas nunca senti nenhuma resistência a querer seguir qualquer caminho profissional da parte dos meus pais”, frisa, adiantando que não teve influências familiares.

“Tenho um primo no Porto que toca guitarra, mas nunca houve nenhuma influência direta, nenhum contacto”.
Carlos revela que as suas primeiras grandes influências foram herdadas a partir da coleção de discos do pai. “Mesmo antes de tocar a guitarra, foi a partir daí que comecei a ouvir muita música. O meu pai não toca nenhum instrumento, mas sempre teve aquilo que eu considero ser um ótimo gosto musical, em que se ouvia os discos dos Queen, dos AC/DC, Iron Maiden, Guns N’ Roses ou Aerosmith. Foi a partir daí que começou o meu interesse pela música”.
Concluída a licenciatura, hoje está a tirar dois mestrados, um em ensino de música clássica e outra especialidade em jazz. “Tenho conseguido conciliar os estudos com as aulas de música e também com os concertos”.
Carlos aprecia vários estilos musicais, desde a música clássica, passando pelo rock até à erudita. “Gosto de muitos estilos, já que sempre tive um pé dentro do rock, dos blues, do pop, do clássico e do jazz”.
Sempre que tem algum tempo livre, o jovem músico aproveita para ler, ver filmes e compor músicas. “Mas na maioria do tempo, se não estiver a dar aulas ou a estudar, estou a fazer alguma coisa relacionada com música”.
Carlos integra a banda de metal alternativo de Vila Real “In We Fall”, que no final de 2024 apresentou o álbum “Inner Self”, uma combinação de metáforas líricas com música pesada.
“A banda existe desde os finais de 2022 e os membros são todos de Vila Real. A meio do ano passado, assinamos um contrato com uma editora norte-americana, a Eclipse Records. Entretanto, lançamos o nosso primeiro álbum, que estamos a promover numa turné nacional. E está a correr muito bem”, frisa o músico, que é o guitarrista da banda e também é compositor.
Apesar de reconhecer que sua música é dirigida a um público muito específico, o sonho de qualquer músico é chegar ao maior número de pessoas possível. “É isso que quer qualquer músico, que é partilhar a nossa arte, na qual temos orgulho”.
A banda nasceu em Vila Real e tem trilhado o seu caminho de sucesso, no entanto, “sinto que dificuldades no que diz respeito a oportunidades, a contactos que não são feitos por não estarmos nos centros metropolitanos grandes. E o facto de sermos de Trás-os-Montes, às vezes, temos que trabalhar o dobro para ter metade. É um bocado essa a perceção que temos. Não quero armar-me em coitadinho, mas acaba por ser uma realidade. Se estivéssemos no Porto ou em Lisboa, no caso deste projeto musical, teríamos outras possibilidades”.
JOSÉ LUÍS CAMPOS
José Luís Campos tem 25 anos e é natural de Parada de Aguiar, no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Quando tinha apenas 7 anos, o avô levou-o a uma aula de concertina. Experimentou, gostou e não parou de tocar. Aos 16 anos começou também a estudar piano. “A música para mim não tem limites. Decidi também experimentar outros instrumentos como o baixo elétrico e guitarra acústica, mas o principal instrumento que toco é a concertina”.
Dá aulas de concertina, é diretor musical e teclista na Banda Campos, um grupo de baile onde também toca concertina, tentando sempre inovar neste instrumento tão tradicional. “Tento introduzir no nosso concelho outra vertente, como o ‘world music’, para abrir um bocadinho a mentalidade das pessoas, mas mantendo sempre as nossas tradições, apesar de gostar de levar a concertina a outro nível, de forma a não ser visto apenas como aquele instrumento tradicional”.

Com a sua concertina tem atuado em países europeus como Itália e Suíça, tendo participado no Prémio Internacional da Filarmónica em Itália, no Castelfidardo, que é a meca do acordeão. “Fiquei em sexto lugar e, a partir daí, comecei a representar a marca Dino Baffetti. Através do representante em Portugal, o João Almeida, começou essa parceria e surgiu a oportunidade de ir à Calábria fazer um concerto. E este ano vou voltar”.
Para José Carlos, a música representa “partilha, emoção e também mostra um pouco a nossa personalidade”.
No futuro, o músico quer continuar a aprender e dar alegria às pessoas. “Gosto muito de aprender, porque o mais importante é uma pessoa não estagnar. Quando estou em palco tento transmitir alegria a quem me ouve. Se o público estiver contente, eu também estou”.





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