Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021

Moinho de Soutelo sem água e sem milho

Há alguns anos, a Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião e a Junta de Freguesia de Fontes colocaram as mãos à obra e recuperaram, na aldeia de Soutelo, um dos raros exemplares moinhos de cubo da região. Porém, ao fim deste tempo, o moinho continua inactivo. Uns dizem que o caudal da linha de água, que o alimenta, não é suficiente para mover as mós. Outros apontam a mudança de costumes da aldeia, que já não o utilizam para moer o milho e outros cereais. Apesar destes contratempos, o trabalho de recuperação realizado é de enaltecer, já que ficou salvaguardado um legado patrimonial do concelho, evitando o seu desaparecimento.

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Segundo um popular da aldeia, a solução poderia passar pelo desvio de águas de ribeiras que passam perto do moinho, facto que possibilitaria a movimentação das suas grandes mós de granito.

No séc. XIX até meados do séc. XX, este moinho teve uma grande importância comunitária. No Inverno funcionava com a força das correntes, que permitiam o accionamento dos rodízios. Um exemplar de moinho de consortes (coberto com lajes de lousa), que se conservou dentro do povo de Soutelo (cercado pelo Marão) acabaria por ser recuperado pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia de Fontes.

A água que utiliza vem da serra e, depois de passar pelo “cubo” de granito, aumenta a “queda” (pressão), e é utilizada para regas. Tem a particularidade de possuir uma cobertura em lousa e no sítio da junção do “telhado” (de duas águas), o seu cume está vedado com torrões virados ao contrário, processo que já era utilizado, há muito tempo, na vedação dos cumes das casas, quando as coberturas eram de xistos argila, vulgarmente conhecidos por lousas (pedras pretas).

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