Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021

Montalegre, 2 | Vila Real, 0

O jogo da jornada colocou frente-a-frente o primeiro e o quarto classificado do campeonato, num desafio intenso, onde o Montalegre conseguiu impor a primeira derrota aos pupilos de Abel Ferreira e ascender ao segundo lugar. Com esta vitória, o Montalegre encurta distância para o topo da tabela, estando agora a sete pontos do Vila Real. No final da décima jornada, o campeonato fica mais competitivo e a luta pelo título continua, no entanto, o Vila Real tem uma vantagem de sete pontos para gerir.

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Este encontro era crucial para os homens do Barroso, que tinham aqui uma palavra a dizer, se são ou não um dos candidatos ao título. Já os alvi-negros, com uma margem confortável na tabela, poderiam aproveitar para enervar o adversário e colocar toda a pressão do outro lado. No entanto, os barrosões não sentiram essa pressão e partiram para uma exibição convincente, em que venceram, com mérito, o seu directo rival.

Nos primeiros minutos assistimos a um jogo repartido e equilibrado, com André Azevedo a ter nos pés a primeira ocasião de golo, depois de uma saída em falso de Paulo Veríssimo, valeu o alívio de Vasques. Com um meio-campo mais musculado, o Montalegre anulou as pedras mais influentes do adversário e começaram a ter um pouco de ascendente sobre o relvado. Aos 10’, há uma boa triangulação do ataque caseiro, com o capitão Chiquinho a rematar por cima do travessão. Cinco minutos volvidos, os donos da casa vão chegar à vantagem, num lance de bola parada. Chiquinho levanta a bola para a área, ninguém consegue tocar no esférico que bate no chão e anicha-se no fundo das redes, entrando no poste mais distante. Esperava-se uma reacção dos forasteiros, mas a luta no centro nevrálgico do terreno era quase sempre ganha pelo capitão da casa, que lançava perigosos contra-ataques, onde os alas, Madeira e Fidalgo, deram muito trabalho ao último reduto alvi-negro. Nas transições ofensivas, o Vila Real não conseguia colocar velocidade, o que facilitou a tarefa do bloco defensivo barrosão. Mesmo assim, aos 36’, Tiago teve uma grande oportunidade para fazer a igualdade. Na cobrança de um livre de forma rápida, Shuster coloca em Tiago que fez o remate para a defesa da tarde, com Veríssimo a negar o golo ao jovem avançado.

A jogar de forma mais coesa e compacta entre os sectores, os visitados conseguiam travar bem as investidas dos vila-realenses, que tiveram bastantes dificuldades para impor o seu futebol. O descanso chegou e o Montalegre regressou ao balneários com a vantagem mínima.

Sem alterações nos dois onzes, as equipas subiram ao relvado para os segundos 45 minutos, onde o Montalegre continuou a impor as suas regras. Logo a abrir, Fidalgo teve uma boa situação, valeu o corte providencial de Peixoto. Resposta pronta de Tiago, mas o remate foi de novo travado por Veríssimo, numa outra excelente intervenção. O Montalegre continuou a fechar bem os caminhos da baliza, jogando atrás da linha da bola, mas nunca descuraram o contra-ataque. Aliás, neste tipo de lances, os visitados tiveram diversas ocasiões para dilatar a vantagem, mas, apenas por mais uma vez alvejaram com êxito a baliza à guarda de Ivo, através de um remate fantástico de Rudi, aos 70’. A uns bons quarenta metros, Rudi atira para a baliza e faz uma grande chapelada a Ivo, aumentando a vantagem para 2 – 0, resultado com que terminou a partida. Ainda havia vinte minutos para jogar, mas o líder não parecia ter forças para anular a desvantagem de dois golos, apesar das alterações efectuadas pelo técnico Abel Ferreira. No entanto, poderia ter reduzido em cima do minuto 90, quando Shuster rematou à trave.

Apesar do desaire, o Vila Real não se deve deixar abater, pois tem argumentos mais do que suficientes para continuar o bom trabalho que tem vindo a ser operado pela equipa técnica. Este jogo era de capital importância para os barrosões, que mostraram que estão vivos e que continuam a lutar pela subida de divisão.

No domingo, o Vila Real volta ao Monte da Forca para defrontar o Murça (uma boa surpresa do campeonato), enquanto o Montalegre terá uma deslocação até Fiolhoso.

 

Abel Ferreira, treinador do Vila Real

“Esta derrota não irá afectar o grupo”

O técnico vila-realense sublinhou que o Montalegre ganhou bem, mas a sua equipa irá continuar a trilhar o seu caminho, rumo à vitória final.

“Foi um jogo bem disputado, entre duas boas equipas, num bom campo e com muitas pessoas na bancada, ou seja, todos os ingredientes estavam reunidos para um bom espectáculo. Foi isso que aconteceu, onde o Montalegre teve a felicidade de marcar um golo de bola parada e depois começou a explorar o contra-ataque. O Vila Real teve de assumir as despesas o jogo, tanto na primeira como na segunda parte. No segundo tempo, tudo fizemos para chegar à igualdade, mas depois apareceu aquele golo que se faz uma vez na vida e tudo ficou mais complicado. No entanto, ainda tentamos reduzir a desvantagem e ficamos muito expostos ao contra-ataque, onde o Montalegre poderia ter ampliado mais o resultado, mas nós também poderíamos ter reduzido. Se tivéssemos concretizado um golo, poderíamos abanar a estrutura do Montalegre, mas não conseguimos. Quero dar os parabéns ao Montalegre, porque ganhou bem”.

O treinador alvi-negro está convicto que esta derrota não vai afectar o grupo. “Pensamos jogo a jogo, temos mais sete pontos que o segundo classificado, mas ainda há muitos jogos neste campeonato. Esta derrota não irá deixar marcas, pois saímos daqui de cabeça bem levantada e, com muita humildade, iremos continuar a percorrer o nosso caminho com vista ao sucesso”.

 

Carlos Felisberto, treinador do Montalegre

“Fomos claramente superiores ao Vila Real”

Visivelmente satisfeito por a sua equipa impor a primeira derrota ao líder, o técnico local sublinhou a atitude e entrega dos seus jogadores, num jogo em que foram claramente superiores.

“Estou claramente satisfeito com a prestação obtida perante um grande adversário, uma grande instituição e um grande clube, que, mesmo tendo perdido aqui, não mancha o percurso 100 por cento vitorioso, que vinham fazendo. Nós conseguimos cumprir o nosso objectivo, que passava por vencer este jogo. A minha equipa está de parabéns, já que, depois de um período conturbado no início da prova, mantivemos a união. Neste momento, somos uma formação com princípios de jogo muito mais definidos e consolidados e a prova disso está dentro de campo, onde temos tido boas prestações e bons resultados. Vamos na quarta vitória consecutiva e era desta confiança que estávamos a precisar. Atravessamos um bom momento, mas temos os pés bem assentes na terra. Lembro que ganhamos apenas três pontos e temos um distância acentuada, 7 pontos, para o Vila Real. Fizemos o que nos competia, que era ganhar. O resultado ainda poderia ter sido mais dilatado, face às oportunidades que criamos. No entanto, quero realçar que hoje fomos claramente superiores ao Vila Real”.

Carlos Felisberto está confiante no futuro da sua equipa, que só poderá melhorar. “Com 4 meses de trabalho, a equipa mostra agora outros princípios de jogo, outra consistência. Na verdade, tivemos algumas derrotas no início da prova, mas, com o tempo, temos vindo a fazer bons jogos, fruto do trabalho semanal que temos vindo a desenvolver. Com as vitórias, a motivação e a confiança aumentam e fazem-nos crescer”.

 

Ficha Técnica

 

Jogo disputado no Estádio Dr. Diogo Vaz Pereira, em Montalegre.

Árbitro: Rui Silva

Auxiliares: Álvaro Mesquita e Bruno Trindade.

MONTALEGRE – Paulo Veríssimo, Mica, Leonel Costa, Vasques, Leonel Fernandes, Duran, Guilherme, Chiquinho, Jorge Fidalgo (Guerra, 89’), Rudi, Bruno Madeira (Ibraima, 81’).

Suplentes não utilizados: Carneiro, Guerra, Diogo, Pedro, Oliveira.

Treinador: Carlos Felisberto

VILA REAL – Ivo, Abreu (André Coutinho, 68’), Nuno Fredy, Kobe, Peixoto, Francis (Mico, 55’), Castanha, Schuster, Bessa, André Azevedo, Tiago (Miguel Ângelo, 55’).

Suplentes não utilizados: Cabreca, Nunes, Júnior, Tapada.

Treinador: Abel Ferreira.

Ao intervalo: 1 – 0

Cartões amarelos: Francis (30’), Bessa (65’), Kobe (84’), Leonel Fernandes (89’).

Marcadores: Chiquinho (15’), Rudi (70’).

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