Sexta-feira, 20 de Maio de 2022

Mulheres chegam a ganhar menos 700 euros que os homens

Este ano, o Dia do Trabalhador e o Dia da Mãe celebram-se na mesma data. Para assinalar esta coincidência, a Pordata compilou uma série de dados que caracterizam o perfil atual da mulher trabalhadora portuguesa.

Mães e trabalhadoras. Assim são as mulheres da atualidade, ainda que os filhos fiquem adiados para lá dos 30. Além disso, as mulheres chegam a ganhar menos 700 euros que os homens. Estas são apenas algumas conclusões da Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Para assinalar a coincidêndia de este ano o Dia do Trabalhador e o Dia da Mãe serem comemorados no mesmo dia, a Pordata lançou uma série de dados que ajudam a caracterizar o perfil da mulher de hoje em dia.

As mulheres, como já foi dito, são mais cada vez mais tarde e há mais mulheres a trabalhar em Portugal do que em décadas anteriores. Contudo, continuam a ganhar menos do que os homens e cerca de um quinto vive em risco de pobreza e exclusão social.

“A evolução histórica é notória, mas ainda há caminho a percorrer no que respeita à situação laboral das mulheres e mães portuguesas”, alerta a Pordata, em comunicado, acrescentando que “estes são dados que permitem verificar as diferenças que as mulheres, em Portugal, apresentam face às dos restantes países da União Europeia e a sua vulnerabilidade face à pobreza e ao desemprego.

De acordo com os dados disponibilizados, existem atualmente 2,4 milhões de mulheres trabalhadoras em Portugal, o que representa metade da população empregada. Dessas, 88% trabalham por conta de outrem, 10% trabalham a tempo parcial, 8% são trabalhadoras por conta própria e apenas 3% são empregadoras.

Das 2,4 milhões, 82,6% presta funções na área dos serviços, 15,8% trabalha na indústria e 1,6% subsiste da agricultura e das pescas. Das trabalhadoras por conta de outrem, 83% estão efetivas e 14% têm contrato a prazo.

Em 2021, o número oficial de homens empregados era de 2.428.600 e o de mulheres 2.383.700. Mas, no final do mês, são eles que levam mais ordenado para casa. “Elas ganham, em geral, menos 220 euros por mês, mas a diferença acentua-se nos níveis mais elevados. Nos quadros superiores, elas ganham menos 700 euros que os homens e menos 326 euros entre os profissionais altamente qualificados”, avança a Pordata.

“É nas atividades financeiras e nos seguros que a diferença é maior, com elas a ganharem menos 624 euros. Segue-se o setor da saúde com uma diferença de mais de 380 euros e a educação com 349 euros de diferença”, informa ainda a instituição.

Ainda assim, as coisas têm evoluído tendo em conta que as mulheres estão mais presentes nos cargos de decisão empresariais. “Quase um terço dos cargos dos conselhos de administração das empresas cotadas em bolsa são ocupados por mulheres”, frisa a Pordata.

“Portugal é o décimo-primeiro país da UE27 com maior peso das mulheres nos conselhos de administração das empresas. A evolução em Portugal tem sido notória. Antes de 2010, o peso das mulheres era inferior a 5%”, salienta a Pordata, lembrando que o peso das empregadoras também aumentou. “Em 1974, eram cerca de 12.000. Hoje, rondam os 76.500. No contexto da UE27, Portugal é o segundo país onde o peso das empregadoras é mais elevado”.

Também na política há mais mulheres eleitas. A percentagem de representantes femininas nas assembleias legislativas atingiu os 40,9% em 2021. Em 2003, não ia além dos 20,5%. Ainda assim, o desemprego também afeta mais as mulheres, tendo em conta que mais de metade dos desempregados inscritos  no Instituto do Emprego e da Formação Profissional são mulheres (57%) são mulheres. São também elas que estão em maioria enquanto beneficiárias dos subsídios de desemprego (56%) e do subsídio social de desemprego (61%). As dificuldades sentidas acabam por levar muitas mulheres a adiar a maternidade. Em 1960, tinham o primeiro filho aos 25. Hoje aos 30,7 anos.

“As mulheres têm vindo a optar por serem mães pela primeira vez numa idade mais tardia. Portugal é o oitavo país da UE27 onde as mulheres têm o primeiro filho mais tarde. Este adiamento reduz a probabilidade de famílias numerosas. O número médio de filhos por mulher é de 1,4 crianças, o oitavo valor mais baixo da UE27. Para que a substituição de gerações seja assegurada, é preciso que cada mulher tenha em média 2,1 filhos”, indica a Pordata.

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