Terça-feira, 21 de Abril de 2026
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Museu da Moto Histórica do Douro ainda pode ser uma realidade

Pode vir dos Estados Unidos a esperança de “ressuscitar” de um dos maiores projetos museológicos de motos a nível mundial, que estava previsto para a região do Douro e que tinha um custo de 7,5 milhões de euros. Um empresário vai manter contactos com investidores americanos para tornar possível a concretização do projeto. O Museu teria uma área para exposições permanentes e temporárias de motos clássicas e contemporâneas, e iria reunir o mais valioso espólio a nível mundial.

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O projeto chegou a ser aprovado com verbas do QREN, mas alguns municípios duvidaram da sua viabilidade. Na altura, Peso da Régua, Lamego, Armamar e a Junta de Freguesia do Pinhão mostraram interesse em avançar com o investimento, porém houve outros municípios que não se entusiasmaram com a ideia.

A gota de água que fez transbordar o copo e a paciência do empresário Mário Alvim Peixe, um dos promotores e entusiastas do projeto, teve a ver com a visita ao Douro do presidente da BMW. Mário Alvim Peixe referiu que nenhum dos autarcas recebeu esta importante figura, alegando que não tinham vaga na agenda. O Museu da Moto Histórica do Douro, apontado para uma encosta no concelho de Armamar (entre Bagaúste e Folgosa do Douro) virado para o rio Douro, foi porventura o projeto mais arrojado alguma vez avançado pela iniciativa privada no âmbito das duas rodas motorizadas. Com um orçamento de 7,5 milhões de euros estava programado em várias fases. Apenas se completou a fase zero.

José Amadeu de Azeredo Alvim Peixe continua interessado na instalação deste museu na região do Douro, tanto que, ao fim de 10 anos após a sua apresentação, ainda acredita que o mesmo pode avançar. “Este projeto iria criar centenas de empregos diretos e milhares indiretos. Estamos a falar de um projeto que tinha uma previsão de visitantes a rondar os 200.000, números que eu defendo”. Tudo abortou devido ao desinteresse de algumas autarquias e ao facto de outras terem defendido que o mesmo só poderia funcionar como um núcleo de outro. “O que era um absurdo, pois perderia escala”. “Também não entendo como é que uma edilidade não tem tempo nem espaço para receber o presidente da BMW de visita ao Douro, o que infelizmente aconteceu. Ao fim de alguns anos a bater à porta das autarquias e associações da região e estas a revelarem pouca sensibilidade para o assunto, não tive outro remédio senão suspender o projeto, que até tinha sido alvo de uma candidatura ao QREN e recebido a sua aprovação na parte de compensação comunitária. Ora, sem apoios das autarquias seria um enorme risco avançar com a construção do Museu da Moto Histórica do Douro”.

Quanto ao futuro, Mário Alvim Peixe ganhou novo fôlego e “não desiste” do projeto. “Eu tenho contactos, em algumas partes do mundo, ligados a esta área e em breve vou aos Estados Unidos da América reunir com vários investidores para arranjar sustentabilidade financeira para este projeto. Porventura, também vou fazer um novo round com as autarquias. Realço que a localização ímpar deste museu no Douro Vinhateiro – Património Mundial da Humanidade, será uma grande oportunidade para qualquer Governo combater os efeitos da interioridade, eliminando tanto quanto possível as zonas deprimidas. Aliás, o aproveitamento das sinergias de todos os operadores turísticos que exploram a região do Douro Vinhateiro poderá conduzir ao Museu da Moto Histórica de Armamar uma percentagem significativa da população visitante da paisagem duriense”.

Este investidor ainda fez uma comparação curiosa com o turismo fluvial. “Em termos comparativos com o turismo fluvial atual, por exemplo, que é um “turismo fechado”, a movimentação diária de turistas guiados para visitar um museu do género seria um “turismo aberto”. No turismo fluvial “fechado”, os turistas são embarcados em cruzeiros e neles fazem as suas refeições, utilizam os seus serviços de bar, por vezes também dormem no barco e até é no barco que fazem algumas compras de produtos e motivos regionais. Neste subir e descer diário do rio Douro, quase sempre sem acompanhamento guiado, e salvo raras exceções em que são efetuadas algumas paragens para visitar adegas e fazer provas de vinhos, os turistas fluviais “apenas deixam nas margens do Douro os flashes das máquinas fotográficas… e pouco mais!”

Refira-se que, termos arquitetónicos o Museu poderá exibir, em simultâneo, uma traça de estilo ousado e original, perfeitamente integrado na paisagem local em que seriam implantadas as varandas do Douro com um horizonte visual que abrange o rio através das montanhas recortadas pelos socalcos cobertos de vinhedos. A área de implantação prevista do projeto estende-se por uma superfície da ordem dos 7 a 10 ha.

Refira-se ainda que, o edifício do Museu poderia integrar uma biblioteca, um auditório, salas de exposição permanente e temporárias, salas de eventos, espaços comerciais, instalações para os serviços administrativos e salas técnicas. E um complexo “speed point” no sentido de espaço pluridisciplinar.

A 2.ª fase previa um hotel com 45 quartos (suscetível de ampliação p/2x); restaurante típico/panorâmico e café-bar; karting in-door integrado no “Speed-point”; e a reabilitação e modernização do aeródromo de Santiago de Armamar.

A localização do complexo do Museu, como já referimos, estava prevista para a ocupação de 7 a 10 ha em terrenos do concelho de Armamar. Teria acesso direto pelo troço de estrada EN 313, que liga Armamar à A24, e pelo CM 1101 que intersecta a EN 222, que liga a Régua ao Pinhão. A estes acessos poderão ainda com facilidade aceder os turistas dos passeios fluviais, através do cais da Régua e, futuramente, através do cais da Folgosa. De referir ainda que os utentes dos comboios tradicionais da linha do Douro, no percurso até à Régua (Porto – Régua – Porto) e à Galiza.


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