Quinta-feira, 11 de Agosto de 2022
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Músicos, alfaiates e sapateiros

As três oficinas onde trabalhavam os sapateiros, Eugénio, Francisco e o alfaiate Diamantino Monteiro eram espaços de tertúlias e divagações musicais. Todos eles na sua arte eram também músicos empenhados nas bandas da terra contribuindo para que a música fosse tema de conversa no despertar de sensibilidades e conquistas. Aqui, paravam pessoas a pé, de bicicleta, de burro ou a cavalo que entrando numa qualquer oficina procuravam a revelação de uma confidência, saber uma notícia, um comentário, um conselho para uma relação matrimonial difícil, ou até uma receita de ocasião para uma doença ou maleita…não, não saiam desiludidos porque os três mestres raramente deixavam de dar uma resposta adequada.

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Cada oficina tinha à entrada uma gaiola com pássaros, normalmente canários ou periquitos. Por vezes confundiam-se os gorjeios da passarada com os assobios dos circundantes. Ali, naqueles pequenos espaços, tudo habitava sob a aura da felicidade. Em frente das oficinas, depois da estrada, o pintor Mio caiava a casa da senhora Libânia. O artista exibia-se em redobrados assobios, inspirado nos cantadores das gaiolas ou mesmo nas bonitas melodias da época.

As mulheres passavam na estrada quase sempre com um filho ao colo, outro pela mão e um outro ainda, o mais velho, atrás a brincar à corda ou à macaca. De vez em quando havia protestos com palavras mal cuidadas, autênticas blasfémias inofensivas a que os

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