Quinta-feira, 30 de Junho de 2022
Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

O Bispo e o Papa

O mês de setembro está a ser de preocupação e luto para a Igreja Católica.

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Depois do pedido de resignação do Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho, a Igreja Católica perdeu dois Bispos da sua estrutura hierárquica, respetivamente D. António Francisco dos Santos (Bispo do Porto) e D. Manuel Martins (Bispo Emérito de Setúbal).

Após o falecimento de ambos, foram proferidas inúmeras declarações de personalidades, desde o Presidente da República até ao mais anónimo dos cidadãos. Em relação a D. António, destacamos, em súmula, a opinião que enalteceu “a autenticidade do seu modo de ser, a genuinidade da sua essência, uma pessoa intrinsecamente boa, um ser humano de primeira grandeza, com a sua ação sempre pautada pela generosidade para com o outro e pela preocupação pelos mais fragilizados, os mais pobres, os mais carecidos de ajuda” (1).

Já em relação a D. Manuel, tendo sido por igual nobilitantes as declarações dessas e de outras personalidades, já a Comunicação Social optou por definir o celebrado ex-Bispo de Setúbal numa perspetiva não tanto pastoral mas, essencialmente, política, relembrando o facto de D. Manuel Martins ter sido catalogado como “Bispo Vermelho”, pelo vigor desassombrado que sempre colocou nas suas intervenções, numa zona territorial onde as ideologias políticas são tão ou mais fortes do que as convicções religiosas.

D. Manuel Martins não merece ser restringido dessa forma. Foi muito mais que um “Bispo Vermelho”. Foi um Homem exemplar. Tal como D. António Francisco dos Santos o foi. Foi um pastor eficaz.

Alguns o criticaram e dele discordaram. Tendo esse direito, espera-se que nunca o tenham feito por ele ser um bispo “vermelho”. D. Martins ficará na História como paladino da palavra respeitável e respeitada. Tal como Papa Francisco que, com a sua ação determinante em favor de uma Igreja dialogante e inserida nos novos tempos, tem vindo a ser confrontado com a contestação de alguns setores mais conservadores da Igreja. Espera-se, também, que o não façam por ele ser um “Papa Vermelho”. O Papa Francisco, com a sua jovialidade e bonomia, não merece tal qualificativo.

(1) – Manuel António Assunção, Reitor da Universidade de Aveiro, in “Jornal de Notícias” de 19 de setembro de 2017.
 

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