Bombeiros“O Governo só recorre aos bombeiros quando tem as calças na mão”

“O Governo só recorre aos bombeiros quando tem as calças na mão”

É a corporação mais antiga do distrito de Vila Real. Tem como comandante Rui Lopes e como presidente da direção Ilídio Mendes, que tece duras críticas às autoridades e ao primeiro-ministro, referindo que António Costa “nunca gostou dos bombeiros, por isso criou e equipou os canarinhos”, mas mesmo assim, “continuamos a ser os maiores agentes de proteção civil”.

“O Governo só recorre aos bombeiros quando tem as calças na mão”, afirmou, adiantando que as “dificuldades são muitas, pois somos uma associação humanitária com 31 funcionários e não é fácil pagar salários ao final do mês”.

“O Governo diz que tem milhões, mas não é para os bombeiros, que continuam a ser os parentes pobres da proteção civil e começa logo por não termos um comando próprio, somos subordinados a toda a gente (o Ministério da Saúde, da Administração Interna, Primeiro Ministro e Presidente da República). Ou seja, somos carne para canhão”, reafirmou o dirigente, lembrando a importância do apoio da autarquia, que paga, juntamente com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, os salários das duas Equipas de Intervenção Permanente. “Estamos satisfeitos. A câmara dá-nos um subsídio, que não deveria ser considerado assim, mas sim pagar o serviço que realizamos a nível concelhio”. No entanto, se não fosse a autarquia, acabávamos com isso, porque não é possível fazer omeletes sem ovos”.

“Temos as dívidas controladas, com salários pagos a tempo e horas. Mas há dívidas aos fornecedores”
Ilídio Mendes-  Presidente

Acrescentou que “têm um passivo a rondar os 200 mil euros, devido às obras realizadas no Bairro dos Bombeiros. Defendo que deveria ser vendido”.

Hoje, vir para a direção dos Bombeiros “não é fácil, porque a responsabilidade é cada vez maior, quando levamos zero para casa. E até chegam a insultar-nos. Estou cá desde 2007 e sinto-me cansado”.

O comandante Rui Lopes vincou que o concelho “está envelhecido” e teve de duplicar o serviço de transporte de doentes, o que “requer investimento nos veículos e no pessoal, que tem sido realizado”. A parte da emergência é o que mais preocupa o comandante, assim como os acidentes nas vinhas e no rio.


Pode consultar o suplemento dedicado aos bombeiros AQUI

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