Quarta-feira, 17 de Agosto de 2022
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

O ti Zé

Eram cinco da manhã e na rua passava um homem embrulhado num capote levando na cabeça um chapéu velho e roto. Vestia de preto e batia os pés com força para desentorpecer as pernas. Ele saíra para fora da aldeia seguido por fantasmas, sombras e negrumes. Avistou ao longe uma carroça puxada por uma mula velha e cansada que espumava vapores que se misturavam no denso e misterioso nevoeiro.

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O condutor da carroça ficou surpreendido com a presença daquele homem estranho e sozinho. Aproximou-se dele com expectativa e cautela e já bem perto identificou-o. O vento investia com força arrastando para longe o chapéu do homem vendo-se a cabeça a descoberto com uma penugem pegajosa e branca. O condutor da carroça interrogou-o:” ó ti Zé para onde vai a esta hora, homem de Deus?” Respondeu de cabeça baixa:” Vou sem destino… à procura de um lugar onde ninguém me veja chorar nem sofrer…” continuou derramando soluços: ” sem a minha última companheira, já não faz sentido andar por aqui…”

O condutor da carroça preocupado com aquela silhueta de figura, ofereceu-lhe um lugar na carripana

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