Quarta-feira, 22 de Abril de 2026
RegiãoPatrimónio ferroviário ao abandono

Património ferroviário ao abandono

O comboio, os carris e as travessas desapareceram, fecharam-se estações, ficou apenas algum património para testemunhar que a linha do Corgo existiu. Contudo, o pouco património que ficou encontra-se em degradação e segue a mesma linha de outro localizado nas linhas do Tua, Sabor e Tâmega. A Câmara de Santa Marta acusa a REFER de não explicar o que pretende fazer com a estação de Alvações do Corgo.

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“Por várias vezes tentamos saber o que a Rede Ferroviária Nacional tem em mente para a linha do Corgo, nomeadamente para a plataforma da via e para os edifícios, mas até agora a única resposta que nos deram foi o silêncio. Isto é lamentável”. Sem papas na língua, o presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, Francisco Ribeiro, acusou mesmo a REFER “de inércia e falta de consideração pelos autarcas”. “Pelo menos poderiam explicar de vez o que pretendem, pois a estação de Alvações e a outras da linha estão a degradar-se. Não deixa de ser preocupante ver este património ligado à região nesta situação de ruína”.

O autarca lançou ainda mais farpas à REFER ao sublinhar que a plataforma entre Vila Real e Régua só serve para as pessoas andarem a pé. “Por enquanto dá para as pessoas andarem a pé, enquanto não nasce erva, porque depois não pensem que as autarquias vão limpar o canal ferroviário”, avisou.

O edil referiu que a linha deveria ser reativada e que as promessas feitas pela REFER “não foram cumpridas”. Mesmo assim, o autarca não desiste e vai continuar a exigir que a REFER tome decisões de uma vez por todas sobre o futuro dos edifícios e da própria plataforma”.

De sublinhar que, ao longo do troço encerrado estão abandonados os apeadeiros de Cruzeiro, Povoação, Ermida, e a estação de Alvações do Corgo, Vila Real (alvo de atos de vandalismo) e Tanha. A linha foi encerrada em março de 2009 para então serem feitas obras de requalificação. A sua “certidão de óbito” foi passada em julho do mesmo ano, quando a REFER encerrou definitivamente a circulação ferroviária. A machadada final na sua vocação de transporte público foi dada a 2 de janeiro do ano passado quando a CP decidiu prescindir do transporte rodoviário alternativo.


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