O projeto proposto pela Savannah Resources prevê a construção de quatro minas a céu aberto e a ocupação de quase 600 hectares a poucos metros desta aldeia, mas também de Romainho e Muro. Caso o projeto vá para a frente, esta será a maior mina de lítio a céu aberto na Europa. Há, inclusive, um Estudo de Impacte Ambiental favorável à mina, mas a população, e quem a ela se junta na defesa do território, diz acreditar que “o projeto não vai para a frente”.
“A união faz a força. Não vamos permitir que o projeto vá para a frente, apesar da vontade do Governo e dos interesses que estão por trás dele”, defende Francisco Venes.
Ao longo de cinco dias, Francisco foi uma das cerca de 300 pessoas que participaram num acampamento, em Covas do Barroso, que surgiu há três anos. Ana Salgado, por exemplo, veio de Lisboa. É uma “acérrima” defensora do meio ambiente e “totalmente contra a exploração mineira”. À VTM lembra que “as baterias a lítio duram 10 anos e depois vão para o lixo”, questionando se “valerá mesmo a pena destruir montanhas por isso”. A ativista dá algumas alternativas para o lítio, como “o sódio ou o enxofre, que têm quatro vezes mais capacidade e com os quais já foram feitos testes”.
Nelson Gomes, da associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, responsável pela iniciativa, admite que “este foi o ano em que tivemos mais participantes”, explicando que “são pessoas de vários países e acabamos por trocar ideias e experiências, através de workshops e conversas. Estamos a falar de um território que é o único no país com o selo de Património Agrícola Mundial. Esta mina não faz sentido”.
O acampamento terminou na terça-feira, com uma arruada. De cartazes em punho e vozes afinadas, populares e ativistas mostraram, mais uma vez, ser contra a exploração de lítio. Carla Gomes, habitante de Covas do Barroso, diz ser “um orgulho ver toda esta gente unida contra a mina”, frisando que “não vamos baixar os braços e não vamos deixar isto ir para a frente”.




