Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
Levi Leandro
Engenheiro. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Práticas Habituais em tempos de Indefinição

Sou dos que pensam que os nossos governantes e autarcas tentam fazer o seu melhor para lutar contra esta pandemia, apesar de uns mentirem ao país e outros adotaram práticas com um protagonismo excessivo.  Constato nas redes sociais que os autarcas, apesar de eleitos para servir, são elogiados, e bem, pelo trabalho que desenvolvem em […]

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Sou dos que pensam que os nossos governantes e autarcas tentam fazer o seu melhor para lutar contra esta pandemia, apesar de uns mentirem ao país e outros adotaram práticas com um protagonismo excessivo. 

Constato nas redes sociais que os autarcas, apesar de eleitos para servir, são elogiados, e bem, pelo trabalho que desenvolvem em prol dos seus munícipes. Como a democracia não está de quarentena, verifico que existem algumas críticas ao oportunismo exagerado de alguns… Mas quero acreditar que nenhum autarca tente tirar proveito político à custa desta pandemia.

 Independentemente da situação económica do país, sempre existiram gabinetes de apoio e fundos de emergência para famílias carenciadas, mas insuficientes para uma pandemia como esta. Apesar dos apoios governamentais, o papel das autarquias na ajuda aos munícipes é essencial. No nosso concelho, algumas medidas anunciadas, são autênticos placebos para os cidadãos. Decidiram suspender a validação dos passes e bilhetes no interior dos autocarros. Suspenderam a fiscalização dos lugares de estacionamento tarifado na via pública. Ora aqui estão duas medidas sem qualquer impacto nos munícipes, face ao confinamento a que estamos sujeitos, são raras as pessoas que andam de autocarro (decréscimo de 93%) e as deslocações de carro são residuais.

 Faria todo o sentido que a CMVR, segundo critérios bem definidos, isentasse alguns munícipes do pagamento de duas ou três mensalidades de água, como outros municípios no distrito o fizeram para todos, possuindo um orçamento inferior a 50% da CMVR, que é de 60 milhões  de euros. Até 10 de abril, 36% dos portugueses perderam rendimentos, os mais afetados, quase metade, são os que auferem um salário até 1000€, e como as contas para pagar não podem ir para lay-off, a ajuda da autarquia é relevante, devendo colocar de lado a demagogia e mostrar mais sensibilidade humana.

Por sua vez, na reunião de câmara de 9 de março, o Município, atribuiu um subsídio inicial de 200 mil euros à Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real, “para garantir a realização das corridas em 2020”.  Atribuição conveniente… Esta autarquia sabe bem dar voz ao seu slogan: “não paramos”. 

Na mesma semana que a CMVR atribuiu os 200 mil euros de subsídio, a autarquia de Portimão anulou o campeonato mundial de motonáutica de fórmula 1, de imediato (13/março), pegou nos 350 mil euros do subsídio atribuído e adquiriu 24 ventiladores para o hospital da cidade. Em 19 de março, foram entregues os primeiros quatro. Outras autarquias em situação similar, preferem vir para a comunicação social “discutir” ventiladores… É bom que avaliemos os políticos, por aquilo que fazem e não pelo mediatismo desmesurado que protagonizam.

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