As comemorações tiveram início no Jardim de São Tiago, com a deposição de uma coroa de cravos no Memorial ao Antigo Combatente, num momento solene que contou com a presença dos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, antigos combatentes e várias entidades locais. Seguiu-se um minuto de silêncio em honra dos que já partiram.
Em frente aos Paços do Concelho, realizaram-se os discursos oficiais e o hastear da bandeira nacional, acompanhado por uma guarda de honra das corporações de bombeiros de São João da Pesqueira e de Ervedosa do Douro. O município assinalou ainda a data com a entrega de uma lembrança simbólica aos antigos combatentes.
A celebração prosseguiu na Igreja Matriz, com uma cerimónia religiosa em memória dos combatentes, acompanhada pela Banda Filarmónica de Nagoselo do Douro. As comemorações terminaram com um almoço de convívio entre antigos combatentes e convidados.
Durante a sessão oficial, o presidente da câmara municipal, Manuel Cordeiro, destacou o significado histórico da Revolução de 25 de Abril de 1974, sublinhando que “devolveu a liberdade e a esperança ao povo português” e abriu caminho à democracia e ao poder local. Num discurso marcado por referências ao contexto internacional atual, alertou para os desafios às democracias e reforçou a necessidade de preservar os valores de Abril.
Já o presidente da Assembleia Municipal, Eduardo Frederico, recordou os tempos da ditadura e enalteceu as conquistas alcançadas após a revolução, como a liberdade de expressão, eleições livres e direitos sociais. Destacou ainda a importância da memória histórica e da participação cívica como pilares fundamentais para a defesa da democracia.
“O 25 de Abril de 1974 não foi apenas uma mudança de regime — foi o despertar de uma consciência coletiva. Os valores que emergiram daquela madrugada são simples na sua essência, mas profundos na sua aplicação: liberdade, democracia, justiça social e dignidade humana”, disse, lembrando que “a revolução pacífica de 25 de Abril transformou Portugal radicalmente, permitindo a mudança de regime para uma Democracia Parlamentar, a Liberdade de Imprensa, a Integração Europeia, a existência de eleições democráticas livres e regulares e ainda nos trouxe a paz e a autonomia dos povos ultramarinos”.
“Hoje, quando caminhamos nas ruas sem qualquer medo de perseguição, quando lemos o que queremos, quando votamos em quem queremos escolher e criticamos sem represálias, devemos lembrar-nos que isso custou a muitos a sua segurança, a sua liberdade, e em alguns casos, a sua própria vida”, vincou.



